22 Novembro 2009

O PREÇO

Nem todos os homens têm preço


(…)
Todos os homens que têm preço acreditam que todos os homens têm um preço. É assim que vêm o mundo para que não se sintam corruptos. Para esses tudo na vida é apenas negócio e os homens que se dizem honestos serão apenas os que ainda não receberam a oferta certa. Mas tal ideia não passa de uma perigosa mentira. Nem todos os homens têm preço. Há homens para quem os seus imperativos éticos têm a força da sua própria essência. Felizmente, Rui Quelhas era mesmo um desses homens que não têm preço.
(…)
in NUVEM DE FUMO, de J.J.Silva Garcia

14 Novembro 2009

PÓ DOS LIVROS E NUVEM DE FUMO



O livro de ficção NUVEM DE FUMO será apresentado em Lisboa, no próximo dia 28 de Novembro, pelas 16h00.
O lugar, a LIVRARIA PÓ DOS LIVROS, é dedicado aos livros e àqueles que os devoram. Fica na Av. Marquês de Tomar, 89, entre a Gulbenkian e a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
Espaço moderno e cosmopolita, vestido de preto e branco e com os livros para colorir as prateleiras. No seu interior há, também, um café para quem quiser dar um descanso aos olhos e um gostinho ao dente.

08 Novembro 2009

CEMITÉRIO DE QUÊ?



"Éramos cinco, somos quatro, tinha que me calhar alguma coisa a mim", frisou, admitindo, no entanto, que o pelouro das Obras Particulares tem sdio, ao longo dos mandatos já cumpridos "um cemitério de vereadores".
Eis Macedo Vieira, caudilho em discurso directo ao Comércio da Póvoa, depois de ter decidido "herdar" de Pedro Matos o pelouro das Obras Particulares ... que lhe "deu" no mandato anterior!
Que motivos levará um Presidente a ir para um "cemitério de vereadores" no último dos seus mandatos?

02 Novembro 2009

CENTÉSIMA PÁGINA





As cores dos livros descobrem-se no interior da Casa Rolão, um belo exemplar de arquitectura civil do século XVIII, em estilo barroco, atribuída a André Soares, construída, entre 1759 e 1765, para um industrial bracarense, classificado de Interesse Público desde 1977.
Vá até à Av. Central de Braga e desfrute de uma interessante livraria. A CENTÉSIMA PÁGINA podia bem ser a livraria onde João Ninguém vira pela primeira vez Diana…
No próximo dia 13 do Novembro, pelas 18h00, numa sessão de autógrafos, será apresentado o livro Nuvem de Fumo, de J. J. Silva Garcia, com prefácio de Maria de Belém Roseira, numa edição da Editora O cão que lê.

08 Outubro 2009

NUVEM DE FUMO




Em 3 de Outubro, no café Aloha, na marginal de Vila do Conde, e no dia seguinte, na FNAC Norteshopping, a Editora O CÃO QUE LÊ, apresentou o livro NUVEM DE FUMO.

No Prefácio a Dr. Maria de Belém Roseira propõe ao leitor:
«…delicie-se com a trama bem urdida, analise-a, cultive-se com as inúmeras remissões sempre espontaneamente feitas, incorpore-as para poder mais lucidamente entender o que se passa no espaço público e interfira neste, intervindo para influenciar no bom sentido.
Assim se cresce em cidadania responsável.
Como referiu Alexis de Tocqueville “A saúde de uma sociedade democrática pode medir-se pela qualidade das funções desempenhadas por cada cidadão”.»


SINOPSE
Numa alternativa à estrutura convencional do romance, o autor desvenda os meandros do modus operandi da política autárquica corrupta e autoritária, e denuncia a caricatura da democracia que serve de nuvem de fumo ao compadrio, ao oportunismo e ao cinismo, à incompetência e à falta de uma cultura dos limites do poder, muitas vezes nutrido pela falta de uma imprensa livre e descomprometida do poder politico local.
O texto ficcional percorre as tramas que envolvem o modo como são escolhidos os candidatos e os interesses económicos que os sustentam. Denunciando o tráfico de influências e a manipulação do poder decisório que ameaça a Democracia, é, também, um quase manifesto a favor da cidade, da ecologia e do desenvolvimento sustentável, que convoca cidadãos engajados para confirmar convicções.
O motivo não é denegrir, mas provocar a reflexão sobre o exercício do Poder Local democrático, defendendo-o enquanto exercício de liberdade e de cidadania e instrumento de progresso.

É na gestão do território que acontece grande parte da corrupção, da falta de transparência, do jogo de bastidores. Um golpe imobiliário é perpetrado por um bando de colarinho branco com Horácio Cunhas no baricentro do triângulo dos interesses. Diante da falsa distracção de Baldrocas, líder da oposição, um dos vértices tem Tutimeia, o construtor do regime. O outro, Redondo, com a camisola do clube de futebol. No terceiro, a dupla Ralha e Manso que, na autarquia, dão a feição legal e aspecto democrático ao negócio.

Algures pode ser em qualquer parte.

08 Setembro 2009

EXEMPLO DE HONESTIDADE INTELECTUAL

CONCEPT DESIGN JUMENTO (ver jumento.blogspot.com)

A mesma personagem que havia dito há uns tempos atrás:

Eu não acredito em reformas quando se está em democracia, quando não se está em democracia, é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se; e até não sei, se a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então, venha a democracia»

...rejeitou agora a crítica de que existe "asfixia democrática" no arquipélago da Madeira, argumentando que "quem legitima o poder é o voto do povo e não está ninguém aqui por imposição, é em resultado dos votos". "Acho que há asfixia democrática no continente", adiantou, apontando que "todos os jornalistas, todos os empresários, muitas das pessoas da sociedade civil, percebem que estão sob algum tipo de chantagem".
Em relação à Madeira, Ferreira Leite julga que "há comunicação social contra o governo, mas no continente muitas das vozes que são audíveis sofrem a respectiva retaliação".

(Ver Manuela Ferreira Leite, in Lusa, 07.09.2009 13h45)

Eu já tinha percebido há muito!

Estamos conversados Miguel!


10 Junho 2009

DE 46 PARA 26


Depois da entusiasmante vitória nas Eleições Europeias de 2004, com 46,32%, em tempo de redobrada esperança, o Partido Socialista sofreu um elucidativa derrota no passado domingo, descendo para 26,57% dos votos expressos!
É o que dá a política feita contra as promessas eleitorais, a génese de um projecto e a história do partido!
E é o que dá não ouvir os que pensam diferente!

Não foi por falta de avisos! Como é que se pôde ficar indiferente (arrogantemente indiferente) a sinais como a manifestação de 120.000 professores numa tarde de sábado em Lisboa?

Será que agora, com mais calma e pés assentes na realidade, se ficará mais disponível para compreender os alertas de Manuel Alegre e de outros camaradas?
Será que perceberemos finalmente o alcance do Encontro das Esquerdas?

É tempo de evitar as más companhias, de continuar a alimentar a ideia errada de que à esquerda de nós próprios não há democracia e o que a única alternativa em Portugal se faz pelo arco da direita; o arco ideológico que continuaria a fazer exactamente as mesmas políticas que agora tiveram um severo castigo através do aumento da abstenção, da perda de 20% dos votos expressos e do expressivo aumento dos votos brancos e nulos!

É tempo de abandonar de vez o preconceito, a arrogância, as políticas que têm sido feitas à margem da nossa matriz ideológica e de retomar o caminho do socialismo democrático que distingue e justifica o Partido Socialista!

06 Junho 2009

HIPOCRISIA


Salgueiro Maia é um herói do vinte e cinco de Abril.
Há vinte anos atrás o Primeiro-Ministro recusou-se a conceder-lhe uma pensão “por serviços excepcionais relevantes”.
A atribuição dessa pensão – crucial no momento de doença que vivia e que o havia derrotar logo a seguir – dependia de um parecer favorável do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República. Com data de 22 de Junho de 1989, o parecer, votado por unanimidade, sublinhava “o êxito da Revolução muito ficou a dever ao comportamento valoroso e denodado daquele que foi apodado de Grande Operacional do 25 de Abril”.
Enviado ao Primeiro-Ministro, o parecer nunca foi homologado!

Na mesma altura, o mesmo Primeiro-Ministro concedeu a mesma pensão a dois inspectores da extinta PIDE/DGS: António Augusto Bernardo, que foi o último chefe da delegação da DGS em Cabo Verde e Óscar Cardoso que foi um dos pides que se entrincheiraram na sede da rua António Maria Cardos e que fizeram fogo sobre uma pequena multidão, tendo causado os únicos quatro mortos da revolução.
Obscena dualidade de critérios desse Primeiro-Ministro!

Agora, o Presidente da República vai finalmente homenagear Salgueiro Maia. Em Santarém, no âmbito das comemorações do 10 de Junho, irá depositar uma coroa de flores junto à estátua do herói de Abril.

O Primeiro-Ministro em 1989 era Cavaco Silva! O Presidente da República em 2009 é Cavaco Silva!

A República que vai assistindo indiferente a estes despautérios que magoam a dignidade de Portugal. Mas, meus caros, os políticos não são todos iguais!
Dois meses depois dos dois pides serem agraciados pelo Governo de Cavaco Silva, o Presidente Mário Soares escolheu o Dia das Forças Armadas para condecorar, já a título póstumo, Salgueiro Maia, com a Ordem Militar de Torre e Espada: a única condecoração portuguesa que dava direito a uma pensão…

Enquanto que, na sua génese, a Democracia propõe espaço para cavaquear, há certa gente que se entretém a escavacar a dignidade da República!

23 Maio 2009

DE NOVO A BARBÁRIE



Viana fez o que na Póvoa se desprezou


1. Tenho a convicção de que o humanismo nada tem a ver com uma visão antropocêntrica da vida que, não raramente, degenera no desrespeito pela Natureza e pelos outros seres vivos. Neste contexto ideológico entendo que o uso de animais em espectáculos e eventos públicos de carácter meramente lúdico, para gáudio de multidões eufóricas, resulta num acto gratuito e abusivo que em nada contribui para a dignificação da pessoa. A violência exercida sobre os animais é uma atitude retrógrada por fingir ignorar-lhes a possibilidade da dor, não se coibindo de a provocar por puro divertimento.
2. Na tarde de 17 de Março de 2008, dando cumprimento a essa convicção pessoal e ao compromisso político assumido no programa eleitoral de que fui rosto, defendi em reunião do Executivo Municipal uma “Moção a Favor da Declaração Municipal Oficial e Simbólica da Póvoa de Varzim como Cidade Anti-Touradas”.
Nos dois dias que antecederam esta acção recebi cerca de duas centenas de manifestações de apoio, de diversas localidades de Portugal e do Estrangeiro, de muitas organizações de defesa dos animais, de algumas cidades Anti-Touradas e de um número incontável de pessoas em nome pessoal.
O objectivo não era apenas acabar com as actividades taurinas, mas também transformar o edifício numa Praça do Engenho e da Arte, integrando um centro de interpretação ambiental, clubes de investigação (Matemática, Física e Química, Energias Alternativas…), espaços de produção de artes plásticas, oficinas de artes do espectáculo e de criação literária (dando continuidade às Correntes de Escrita), a realização de espectáculos e eventos ao ar livre, uma loja de Comércio Justo para promoção de Artigos da Terra (valorizando os produtos hortícolas locais e promovendo uma feira semanal de produtos de agricultura biológica) e um restaurante vegetariano. Num protocolo a estabelecer com a rede escolar local, a sua gestão poderia vir a ser desempenhada por jovens universitários com apoio técnico do Município.
A Praça de Touros fora adquirida pelo Município há mais de vinte anos. Era então membro da Assembleia Municipal e votei a favor dessa aquisição. Aparentemente, na Póvoa, seria fácil dar o passo seguinte: acabar com touradas, garraiadas e afins.
3. Na tarde de 17 de Março, a Póvoa de Varzim poderia ter sido pioneira em Portugal de uma atitude ética na defesa dos animais, poderia ter sido a primeira cidade Anti-Tourada de Portugal, seguindo o exemplo de cidades francesas e das quarenta e duas de Espanha, entre as quais Barcelona.
Todavia, numa atitude incompreensível, a maioria no poder decidiu manter a Póvoa como palco de violência gratuita sobre animais utilizados abusivamente para mero divertimento de insensíveis espectadores.
Dos que se negaram a compreender os sinais dos tempos esperava-se que, no mínimo, tivessem a honestidade intelectual para fazer a análise da proposta, considerando as respectivas vantagens e inconvenientes e que tivessem abertura para a debater. Em vez disso, a Moção foi rejeitada sem que tenham sido apresentados quaisquer argumentos substantivos para tal.
4. A tacanhez de tal postura diz bem do estado de civilização. Indiferente à força dos argumentos e fechados sobre os seus preconceitos, esta gente recusa compreender o Presente e atrasa o Futuro.
No país vizinho, tido por berço da tradição tauromáquica, sondagens realizadas em 2006 indicavam que 72% dos espanhóis declaram não ter qualquer interesse nas touradas. Em Portugal, estudos de opinião realizados em 2007 indicavam que 50,5% dos portugueses declaram querer que as touradas sejam proibidas por lei em todo o país, e que 52,4% pretendem que as cidades e vilas em que residem sejam declaradas Cidades e Vilas Anti-Touradas pelos respectivos Municípios, através da implementação de compromissos municipais de proibição da realização de touradas nos concelhos que administram. Esta posição é ainda mais expressiva na região do Grande Porto, onde 73,6% dos habitantes declaram querer que as touradas sejam proibidas por lei em todo o país, e 77,8% pretendem ver as cidades e vilas em que residem a declararem-se Cidades e Vilas Anti-Touradas.
5. Há algum tempo atrás, com epicentro em
Viana do Castelo, a esperança voltou a ter cor. Quase um ano depois da iniciativa que cá foi rejeitada, a Câmara da Princesa do Lima comprou a praça de touros local e decidiu acabar com as touradas. Pouco depois declarou-se publicamente Cidade Anti-Touradas.
Segundo foi noticiado, o Município de Viana foi inundado por manifestações de regozijo e de parabéns vindos de todo o mundo. O presidente Defensor de Moura disse que nunca tinha sido tão felicitado por uma decisão e contou que, depois de alguma contestação inicial por parte de aficionados, o fim das touradas em Viana do Castelo se afigurou, afinal, como uma das medidas "mais populares" que havia tomado desde que lidera o executivo local.
Defensor de Moura considera que "no século XXI é uma atrocidade continuar a sacrificar animais em público daquela maneira".
A Praça de Touros de Viana será transformada num Museu de Ciência Viva, de forma a aproveitar a proximidade ao Parque Urbano, onde funciona o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental.
6. Depois de Viana do Castelo, também Braga, Sintra e Cascais se assumiram em defesa dos direitos dos animais, passando a proibir espectáculos de tourada e afins.
Os jovens da Comissão de Estudantes da Universidade do Porto deveriam estar na linha da frente da defesa dos animais. Mas, pelo contrário, voltaram este ano a repetir o pedido de apoio e a organizar uma festa que não dignifica essa parte da elite pensante do país.
Hoje, domingo, na Póvoa volta a acontecer uma garraiada integrada na Queima das Fitas e subsidiada com o erário municipal. Por unanimidade, o Executivo voltou a usar de forma insensível e arbitrária os bens comuns para promover a barbárie!
Não sei o que vai passar-se hoje, mas na garraiada de 2007 um animal assustado, obrigado a estar onde não queria, foi sujeito de forma hostil a fazer o que outros lhe impunham e morreu precisamente às mãos de estudantes de Ciências de Saúde; aprendizes sem alma, que um dia nos tratarão o físico, mas que vão treinando o desprezo pela dor alheia por puro divertimento.
Nesse dia, a falta de vergonha percorreu as bancadas, indiferente ao frémito da dor e ao sangue que jorrou na arena, num regresso à escuridão da barbárie.
7. Fica a certeza de que é tudo uma questão de tempo!
A luta pela defesa dos Direitos dos Animais, consagrada pela Organização das Nações Unidas (ver a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada pela Unesco, em Bruxelas, no dia 27 de Janeiro de 1978), e protagonizada por inúmeras associações e incontáveis pessoas, há-de conseguir resultados positivos e definitivos, designadamente acabando com as touradas e eventos similares.
É tempo de um novo desiderato! A História, cada vez mais liberta de uma visão antropocêntrica, corre a favor da ideia de que partilhamos a Terra com outros seres vivos que urge respeitar.
Acredito que se juntarão boas vontades para uma caminhada de vanguarda, em que seja adoptada uma nova atitude assente nos valores da ecologia profunda.
Mais cedo ou mais tarde a Póvoa de Varzim será também uma cidade que respeita os animais.
Desse modo cumprir-se-á o Homem.

artigo de opinião publicado no jornal "O Comércio da Póvoa", edição de 2009.05.21


17 Maio 2009

ARQUITECTURA DE ARQUITECTOS


Conta-nos Alexandra Prado Coelho, no Público, que, no passado dia 13 de Maio, depois de uma luta de mais de 35 anos, só os arquitectos passam a poder assinar projectos de Arquitectura!
Algo de ridículo se tem passado neste país ao longo de tanto tempo e é confrangedor que tivesse sido tanto tempo e uma directiva comunitária para que a Arquitectura pudesse ser feita apenas por quem tem formação académica específica e reconhecimento técnico da Ordem dos Arquitectos!
O anacrónico e já famoso Decreto 73/73 tem permitido o exercício da Arquitectura a profissionais sem a qualificação necessária para isso. Vai finalmente ser revogado através da proposta de Lei n.º 116/10, que foi aprovada na Comissão Parlamentar de Obras Públicas e será votada pela Assembleia da República.
Esta mudança, que põe as coisas definitivamente no seu lugar, resultou de um acordo "inédito e histórico" com a Ordem dos Engenheiros, e marca o início de um novo ciclo na vida dos arquitectos e da Arquitectura em Portugal.
A nova lei vai mais longe que consagrar a Arquitectura para os Arquitectos, e reconhece, por exemplo, o trabalho dos arquitectos nas áreas de Urbanismo, fiscalização e direcção de obra.
Espera-se que, com uma tal medida, possa melhorar a concepção formal e funcional do edificado, a imgem da cidade e a qualidade de vida dos cidadãos.

15 Maio 2009

A CAIXA DE PANDORA

Plano de Pormenor da Zona Norte E54
J.J.Silva Garcia (in O Comércio da Póvoa, ed. 2009.05.07)


1. O fim último do ordenamento do território e do Urbanismo é promover a melhoria das condições de vida e de trabalho das populações, no respeito pelos valores culturais, ambientais e paisagísticos, a distribuição equilibrada das funções de habitação, trabalho, cultura e lazer. Isso passa por adequar os níveis de densificação urbana, impedindo a degradação da qualidade de vida e o desequilíbrio da organização económica e social, e por racionalizar o aproveitamento das áreas intersticiais, rentabilizando as infra-estruturas e evitando a extensão desnecessária das redes e dos perímetros urbanos.
Neste contexto, aos proprietários é legitimo retirar vantagem económica das parcelas de que são detentores apenas como consequência do correcto ordenamento do território e não como objectivo sobreponível ao interesse comum. Assim, ao planear a cidade não é legítimo manipular os índices urbanísticos em função dos interesses e das necessidades dos proprietários, mesmo que estes prossigam fins de interesse público! A acontecer tal deriva, numa atitude ideológica neo-liberal que trata a cidade como mercadoria, seremos, mais cedo ou mais tarde, vítimas da falta dos fundamentos do humanismo e da racionalidade indispensáveis à qualidade de vida urbana.
2. Para os terrenos do Varzim/CDP a Câmara propõe o que já experimentou no caso Quintas & Quintas. Sempre considerei inaceitável que, para resolver dificuldades financeiras de uma empresa privada e agora de um clube de futebol, o poder político criasse um bónus construtivo excepcional para onde a análise técnica havia recomendado capacidade construtiva mais contida. Que sentido faz avançar com propostas urbanísticas que não resultam de uma abordagem científica da cidade com vista à construção de um modelo urbano coerente, mas como um instrumento de utilização avulsa para resolver problemas e satisfazer interesses momentâneos, sem uma visão global do espaço no tempo? Como ficaria a cidade se as capacidades edificatórias, as cérceas e as volumetrias fossem estabelecidas de acordo com as necessidades financeiras de cada proprietário?
Independentemente da forma, o que o PP E54 propõe é a ponta visível do que está na sua génese. É a consequência previsível de quem deliberadamente criou um mecanismo para alcançar um objectivo preciso no tempo seguinte, deixando a ideia ilusória de que seriam estudos posteriores (cujos pressupostos, contornos e fundamentação se desconhecem) a concluir por aquilo que, afinal, estava predeterminado!
Disto quase não se fala, mas tal facto é preocupante pelo que permite e significa de desprezo pelo bem comum e pelo interesse público. Demonstra como é possível subverter a ciência urbanística e o poder decisório da autarquia em democracia, na mais tranquila das unanimidades (ou quase).
3. Na mesa coloca-se, também, outra questão: ao contrário do que seria de esperar, quando o Município é chamado (ou a si próprio se chama…) a propor um projecto concreto para uma parte da cidade, assume uma lógica idêntica à do jogo especulativo e reproduz propostas urbanísticas que desvalorizam a cidade, ao mesmo tempo que despreza a implementação de modelos decorrentes da compreensão da especificidade do lugar, no quadro do Desenvolvimento Sustentável
4. Não são razões de natureza funcional no contexto citadino que justificam a saída das instalações desportivas do Varzim e do CDP do Alto de Martim Vaz. São meras conveniências de negócio: o sector imobiliário vê nos terrenos em frente ao mar a última oportunidade interessante para investimento; os clubes vêem nisso a oportunidade para obter receitas que interessam à sua actividade desportiva e, em certo sentido, empresarial. Mas, é intolerável que o Município tenha criado uma regra que, em vez de ter em conta um modelo urbano amigo das pessoas e do ambiente, usa a cidade como instrumento gerador de receitas para proprietários fundiários concretos e exclusivos.
5. Em tempo e inúmeras vezes critiquei esta deriva na concepção e utilização dos instrumentos de planeamento e gestão do território. Primeiro no caso Q&Q. A seguir, denunciando o erro de repetir nos terrenos do Varzim e do CDP a mesma mercantilização da cidade. Num caso e noutro, a mesma falta de modelo sustentável para o desenho da cidade, o mesmo desprezo pelos princípios da universalidade e da abstracção que devem caracterizar qualquer norma regulamentar e a mesma deriva no uso do poder decisório.
Notícias recentes dão conta que, dos 387 apartamentos e meia centena de lojas previstos na Urbanização Q&Q, estarão em construção cerca de duas centenas e apenas 15 terão sido sinalizados para compra (1). A avidez de lucros de uns e a miragem de receitas com taxas e muita irresponsabilidade de outros, levou a passar de 36.000 m2 para 54.000 m2 a capacidade construtiva desse terreno! A forte quebra na procura confirma o excesso e anuncia deixar no nosso quotidiano colectivo, por muito tempo, aquela parte da cidade entretanto esventrada e mal resolvida.
6. No Plano de Urbanização (PU) em vigor incluiu-se uma norma que dá tratamento de privilégio exclusivo aos terrenos do Varzim e do CDP. Por isso, a reflexão é indispensável e pertinente no âmbito da apreciação do Plano de Pormenor da área E54.
Escandalosamente, o PDM, cuja validade se extinguiu em 2005, continua por rever! Mas, surpreendentemente, ao fim de três anos de uma suposta validade de dez, o PU entrou em revisão! Mas, pelo que se sabe, não é para alterar a norma de privilégio criada. Para a área E54 continua a propor um índice de construção a definir em plano de pormenor, tendo como referência 1,2, admitindo que este valor pode ser ultrapassado, no máximo de 50%, se mostrar indispensável à viabilidade de construção dos novos equipamentos. O mesmo é dizer: se for necessário para, através de um negócio imobiliário, se gerar o montante em dinheiro para a construção de novos equipamentos desportivos do Varzim e do CDP!
O precedente começou com o caso Q&Q, quando a Câmara e a Assembleia Municipal abriram a caixa de Pandora. Com a aprovação do PU e com a alteração do uso do solo para os terrenos dos principais clubes poveiros localizados no Alto de Martim Vaz escancararam o caminho à pressão imobiliária. Era provável que, debatendo-se com uma grave crise financeira, o Varzim viesse a promover um negócio imobiliário nos seus terrenos.
7. Não obstante, a ter que tratar do assunto nestas condições, sempre defendi que, na hipótese da saída do estádio do Alto de Martim Vaz, se o clube não construir um novo estádio e utilizar quinzenalmente o Estádio Municipal para realizar os jogos das provas de competição em que participa, deixa de ser necessário o bónus de 50% admitido pelo PU, não é necessário esticar o índice construtivo para lá de 1.2 e até será possível uma solução que privilegie a descompressão urbana e a naturalização do espaço público, assegurando maior qualidade ao modelo urbano a promover.
Limitado a um máximo de 1.2, o clube continuará a fazer um bom encaixe financeiro, o suficiente para resolver o passivo actual, para promover um protocolo de utilização do Estádio Municipal, custeando a respectiva adaptação funcional, para construir uma Academia Desportiva, criando uma nova centralidade numa outra zona do concelho e, eventualmente, para adquirir património que lhe permita uma receita regular capaz de assegurar a sua autonomia e independência financeiras.
Numa tal hipótese, ganharia a cidade! Não teria demasiada densidade de ocupação num litoral já sobrecarregado com volumetrias excessivas, não teria que consumir terrenos no Parque da Cidade e não haveria lugar à duplicação de equipamentos (dois estádios separados por uma centena de metros é um insustentável desperdício de recursos, a exigir ainda elevados custos de manutenção).
8. Sou adepto da distribuição equilibrada das funções de habitação, trabalho, cultura e lazer e da adequação dos níveis de densificação urbana. Por isso, sempre defendi que para o Alto de Martim Vaz não se deveria exceder o índice técnico de 1.2. Assim, em concreto, entendo que a Câmara Municipal tem o dever de elaborar uma alternativa à sua actual proposta urbanística, substituindo o extenso muro de oito andares paralelo à linha de costa, que repetiria o inaceitável corte entre o interior e o litoral que há muito se critica na Avenida dos Banhos. Isso implica a diminuição da carga construtiva - adequando-a também a um tempo de manifesta retracção aquisitiva -, implica melhorar a qualidade do espaço público, criando aberturas e enfiamentos que liguem visual e funcionalmente o interior com o mar e formatando os espaços de contacto e de encontro de acordo com uma escala que compreenda a paisagem, a luz, o sol e o vento como protagonistas fundamentais. Tal poderia passar pela concepção de uma sucessão de pequenas praças contidas por edifícios de baixa cércea e desenho integrador de soluções bioclimáticas.
9. Estamos diante de uma segunda edição do truque da pescadinha de rabo na boca, que poucos denunciaram! Por causa das meias tintas e do irresponsável pânico de fazer rupturas tidas por politicamente incorrectas, nas Normas Provisórias de 2000 criou-se a norma regulamentar que abriu o precedente com o caso Q&Q. Depois, o PU de 2005 abriu a mesma oportunidade ao Varzim e ao CDP. Ambos foram aprovados na Assembleia Municipal por uma maioria que passou muito além do PSD! Não obstante, os que abriram a caixa de Pandora ainda podem corrigir a dimensão dos estragos. Por outro lado, os que aprovaram estes instrumentos de gestão urbanística por distracção e sem medir as consequências, mas que agora não se conformam com os resultados da sua incúria, devem admitir com humildade o erro cometido e agir para mobilizar os cidadãos e motivar os primeiros a rever um Plano de Pormenor que, a concretizar-se tal como nos foi publicamente apresentado, repetirá erros anteriores e continuará a levar a Póvoa pelo caminho da insustentabilidade.

(1) In Comércio da Póvoa, ed. 2009.04.30

03 Maio 2009

SEIS MILHÕES DE EUROS PARA A CRISE



Que país é este em que nos meteram?
Em ano de crise assolapada chegam três actos eleitorais. O esbanjamento começa com a campanha para as eleições europeias, mas promete não ficar por aí. Como sempre, os gastos são muito mais para fazer o circo e muito pouco para esclarecer.
Como é possível que, no seu conjunto, os principais partidos políticos, com o PSD à cabeça nas despesas anunciadas, logo seguido pelo PS, pelo PCP, pelo BE e pelo CDS/PP, se permitam gastar mais de 6.000.000 de euros em propaganda só para as Europeias?
Chega a ser obsceno tal comportamento, especialmente inaceitável num tempo em que Portugal se encontra numa situação económica e social difícil, com quinhentos mil desempregados e com as empresas com dificuldade de pagar as contas e de sobreviver!

29 Março 2009

DESLIGAR A LUZ PELA TERRA


Há atitudes que são apenas simbólicas, mas que são indispensáveis à mudança de paradigmas e de comportamentos. Não salvam o mundo, mas ajudam.
Ontem em três mil cidades em todo o mundo muitas luzes foram apagadas durante uma hora, numa mensagem simbólica de que é preciso fazer mais para combater o aquecimento global.
Sidney, Paris Roma Londres Atenas Cairo Nova Iorque Rio de Janeiro Buenos Aires Cidade do México… Mas, também em Portugal, monumentos nacionais, marcos da paisagem urbana como a Ponte 25 de Abril, equipamentos e edifícios públicos e casas particulares estiveram às escuras, na terceira edição da Hora do Planeta - uma campanha lançada em 2007 pela organização ambientalista internacional WWF.
Pelo menos sete cidades portuguesas aderiram: Lisboa, Tomar, Águeda, Vila Nova de Famalicão, Funchal, Almeirim e Guimarães. Cada uma comprometeu-se não só a apagar algumas luzes sob sua jurisdição como também a divulgar a campanha junto dos seus munícipes. Em Lisboa, há um ecoconcerto do músico André Sardet, no Jardim da Torre de Belém.
A Póvoa, como em tantas outras coisas em que se afirma a modernidade, ignorou…Mas manteve o cemitério novo iluminado ao longo de todo o espaço e da noite da noite, repetindo o desperdício que continua desde que inaugurou o equipamento.

Um dia, ainda desempenhava funções autárquicas, chamei a atenção para esse desperdício num tempo em que a defesa do ambiente e a gestão racional dos recursos é também uma questão ética.
O Presidente e o Vice-Presidente justificaram a luz acesa para ninguém alegando ter como objectivo a segurança do cemitério e não um luxo de natureza estética. Mas, para a segurança bastaria um ou dois projectores, dispensando-se a panóplia de iluminarias espalhadas no cemitério de lés a lés…
Mas, será que a segurança num espaço desértico, sem frequência nocturna, na periferia da cidade, se garante com luz, sem qualquer vigilância?

08 Março 2009

SINTOMÁTICO


O Público convidou-o a fazer o Editorial do número que marca o décimo nono aniversário do jornal. Sintomático.
Sintomático, também, o desabafo de Lobo Antunes, em que impressiona a inequívoca e directa acusação à deriva que alguns directores, chefes de redacção e jornais se prestam.
Cada um com a sua experiência, afinal há mais quem não seja indiferente à cumplicidade funcional com certos poderes e à falta de competência e de honestidade intelectual que contamina alguma imprensa, sobretudo de âmbito local.



É pena que os jornais, como a literatura, sejam uma estrebaria de porta aberta: devia ser reservada aos profissionais sérios, como os nomes de que há pouco falei, e que decerto existem. Conheço alguns. Estes parágrafos para o PÚBLICO são uma homenagem a esses nomes. O que me assusta é o facto de qualquer pessoa estar à mercê de criaturas medíocres, sem possibilidade de rectificar a pulhice.”

In Lobo Antunes, Os Jornais & eu, Público, edição de 2009.03.05

28 Fevereiro 2009

MANUEL SILVA


MANUEL SILVA
NOTA PRÉVIA
Importa a honestidade intelectual que faça uma prévia declaração de interesses: Manuel Silva é meu bisavô.
Hoje, vinte e oito de Fevereiro, 140 anos depois do dia do seu nascimento na Póvoa de Varzim, é importante lembrar o nascimento Manuel Silva, que ficou na memória da nossa terra sobretudo como historiador, como o homem que abriu as portas à construção de uma história local assente em bases científicas.
Dele viria a escrever Vasques Calafate: "Entre as venerandas figuras da Póvoa de Varzim, a de Manuel Silva é das que têm maior relevância...foi um valoroso pioneiro da história local. É com este título que ele se distinguiu no nosso meio e distingue a Póvoa de Varzim. Neste campo das letras revela-se um investigador consciencioso e um escritor de bom quilate. Senhor de vasta e sólida erudição, a sua fina inteligência servia-se desse bom material para bem construir os seus temas da história poveira, que tão absorventmente o apaixonaram, e tão compreensivelmente tratou".
Através de um trabalho de Adriano Castro vimos a confirmar que "percorrendo as centenas de textos que nos deixou, facilmente se pode concluir a multiplicidade de aspectos, de temas e de áreas de intervenção de Manuel Silva. Da educação ao Ensino, do Direito à política, da investigação à divulgação, da literatura à bibliófila, tudo mereceu a sua opinião atenta e crítica. Mesmo no âmbito da História, o seu labor não se limita a algumas obras de maior fôlego e mais conhecidas. Nas páginas da "Revista de História", da "Terra Portuguesa", de "A Póvoa de Varzim", do "Estrela Povoense", de "O Comércio da Póvoa", "A Voz da Póvoa", "A Bibliográfica", deixa-nos uma intervenção constante, obedecendo sempre a três objectivos fundamentais: contribuir para a elaboração da história nacional; colaborar na reclamada rectificação dos erros e propositadas falsidades de que está conspurcada a obra já escrita; acentuar a importância de elementos aparentemente falhos de alcance.
"Varazim de Jusaão nas formulas municipaes d'Herculano" (1915) e "A Evolução d'um Município" (1917-22) são trabalhos construídos na linha de Herculano e seus seguidores, nomeadamente Alberto Sampaio e Gama Barros, historiadores que marcam decisivamente o pensamento de Manuel Silva. Acompanhou os movimentos de âmbito nacional relacionados com a História. Membro da Academia de Ciências, do Instituto Histórico do Minho, e do Instituto Português de Diplomática, integrou também a sociedade Portuguesa de estudos Históricos, que tinha objectivos bem definidos e um programa ambicioso.Bibliófilo, são constantes as suas análises críticas aos livros que vão sendo publicados na área da História Universal, nacional e local, da literatura, da arte, da ciência e da educação. Também os Arquivos são uma paixão de Manuel Silva. Toma posição pública frontal contra a centralização dos Arquivos. Considera que os Arquivos municipais são, na localidade, preciosos e invejáveis mas, longe, tornar-se-ão mortos e esquecidos. A "sua" Póvoa não lhe merece apenas o estudo incansável do passado. Participa activamente em diferentes movimentos de âmbito local e integra os órgãos sociais de várias instituições - é conhecida a sua ligação à Beneficiente, à Santa Casa da Misericórdia, à Assembleia Povoense e à Junta de Propaganda e Defesa da Póvoa. Descreve com pormenor muitas das tradições poveiras. Em alguns casos, esses registos são notáveis e belíssimos - leia-se, a título de exemplo, os artigos sobre "Águas e Chafarizes", "Mantas de Terroso" ou "Procissão das Aliantarnas".
Muitos destes trabalhos de Manuel Silva foram escritos em jornais. (...)"

in Doze Nomes Para doze Meses, de Adriano Castro.
Manuel Silva nasceu na Póvoa de Varzim em 28 de Fevereiro de 1869 e faleceu em Dume (Braga), em 18 de Agosto de 1941.

30 Janeiro 2009

A RELAÇÃO CONFIRMOU A ABSOLVIÇÃO


O Tribunal confirmou as coisas no seu lugar!

Em Janeiro de 2008, a sentença proferida pela Juíza Elvira Vieira absolveu-me do alegado crime de difamação de que fui acusado pela dupla que dirige a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.
A terminar Janeiro de 2009, o Tribunal da Relação do Porto confirmou a sentença de absolvição, derrotando em toda a linha a intolerância retrógrada, o abuso de poder, a tirania e os tiques antidemocráticos que caracterizam a mentalidade e a praxis de Macedo Vieira e de Aires Pereira, "senhores" da Casa Grande, até ver!

Com a minha absolvição ganhou a Liberdade de Expressão contra a intolerância e a falta de sentido democrático de uma mentalidade caduca e arrogante.
Macedo Vieira e Aires Pereira foram politicamente derrotados pelo próprio feitiço.
Sei que não têm a grandeza de alma para pedirem desculpa publicamente por todo o mal que me fizeram e que permitiram a outros que me fizessem!
Resta-lhes, então, perante todos os poveiros, mostrar o mínimo de dignidade, assumindo com os próprios bens os custos do apoio jurídico que contrataram e livrando o erário público das consequências das suas aventuras insensatas. É indispensável que o demonstrem com documentos e não apenas com as habituais e gastas palavras de circunstância. Que o fizeram com o dinheiro de cada um e não com o dinheiro da Câmara, que é de todos nós.
O Tribunal repôs as coisas no seu lugar!
Feita justiça, nada me obrigava a ter que continuar o convívio com a ignomínia e a falta de escrúpulos.
Voltei para o meu círculo pessoal de vida, a cuidar da minha família e da minha profissão.
Isso não quer dizer que virei as costas ao exercício da cidadania: apenas que voltarei a novas formas de a fazer acontecer!

11 Janeiro 2009

RIR?


Vila do Conde perdeu o título de cidade mais limpa do país, distinção atribuída pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e pela Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental (APESB).
Em 2005 o concurso não se realizou. Em 1999, 2001 e 2003 Vila do Conde foi considerada a cidade mais limpa de Portugal.
Em 2008 perdeu o título, não por estar mais suja, mas porque a autarquia gasta pouco em limpeza e os munícipes pagam pouco pelo serviço.
O júri concluiu que a cidade obteve a cotação máxima nos indicadores relativos ao serviço propriamente dito. O erro de Vila do Conde foi fazer bem com pouco. Para ser melhor classificada o gasto do município com a limpeza teria que atingir 2% do Orçamento da Autarquia e apenas se ficou por 1,5%. Além disso, o júri considerou que o preço cobrado pela autarquia era insuficiente para cobrir os custos dos serviços prestados.
O que importa é que a cidade esteja limpa. E se a autarquia o faz com menos recursos e sem sobrecarregar os cidadãos, tanto melhor!
Num tempo em que por toda a parte se clama contra a má gestão dos recursos, é espantoso que, reconhecida a higiene local em Vila do Conde haja quem veja vantagem em gastar mais. É ridículo concluir-se que se autarquia vilacondense tivesse gasto mais dinheiro com a limpeza urbana e cobrasse mais aos munícipes, provavelmente voltaria a ganhar o prémio.
Vila do Conde perdeu para a Póvoa de Varzim.
Como poveiro gostei de ver a minha cidade ganhar o galardão, por ter melhorado a limpeza das ruas a poente do paralelo 13, embora não tanto quanto seria desejável. Mas, o contentamento é breve quando, ao contrário de Vila do Conde, por cá se gasta mais para fazer menos e nos obrigam a pagar uma inexplicável tarifa de salubridade que nos delapida o erário familiar.

POST SCRIPUTUM
Na marginal, à saída da Póvoa, que é entrada de Vila do Conde, a Câmara formidável do formidável Vieira colocou um outdoor propagandeando o feito!
É uma pequena maldade escusada, que diz tudo de quem o mandou fazer!

03 Janeiro 2009

RESPOSTA DE CARAS A UM TOUREIRO EM CERNELHA

D.Palha
Em 17 de Março de 2008, apresentei à Câmara Municipal da Póvoa de Varzim uma Moção para que a Póvoa de Varzim fizesse uma declaração pioneira em Portugal como Cidade Anti-Touradas.
A propósito da democracia dos comportamentos, um dos ataques mais ignóbeis contra a minha iniciativa partiu de Diogo Palha, publicado na folha electrónica da Tauromania, uma organização cuja vocação é promover o espectáculo taurino.
Respondi-lhe, desmontando as calúnias que então me fez. Mas, até hoje, o “democrata” D.Palha não teve a dignidade de publicar no mesmo espaço o escarecimento a que teria direito se estivéssemos num país a sério.
Diogo Palha é um dos sócios da Tauromania, Lda.. Exerce a sua actividade profissional como gerente das empresas PTX-Promotextil e 1001T-shirts, Lda., estudou Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão e é especializado em Marketing pela Universidade Católica Portuguesa. É elemento do Grupo de Forcados Amadores de Santarém desde 2002, tendo antes pegado no Grupo de Vila Franca entre 1994 e 2001. Foi um dos fundadores da Associação Nacional de Grupo de Forcados e vice-presidente da sua primeira Direcção.

Ao fim de uma espera de mais de meio ano, aqui fica a resposta de caras ao toureiro em cernelha que a não publicou.

1. Em artigo de opinião, Diogo Palha, visivelmente enervado, roçando o insulto pessoal, fez comentários injustos e absurdos à iniciativa política que, enquanto Vereador da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, levei a cabo no passado dia 17 de Março.
Revelando um profundo desconhecimento sobre a génese da referida iniciativa e o seu conteúdo, não se coibiu de fazer insinuações graves, pondo em causa a minha honestidade intelectual e atentando contra a minha dignidade como cidadão.
Cabe assim, esclarecer os leitores.

2. Não há Democracia sem Liberdade e sem pluralismo nas convicções. Nesse sentido, no uso de argumentos fundamentados e não de ruído, ao direito inalienável de todos os que pretendem defender as actividades taurinas, há-de corresponder igual direito de cidadania àqueles que, por outras razões, entendem que tais actividades devem ser extintas. É do confronto saudável de ambas as convicções que o mundo pode avançar.
Ora, usando os mecanismos normais em Democracia, levei a debate uma Moção. Ela foi votada democraticamente e recusada pela maioria PSD. Aceitei o facto com serenidade e não desatei a insultar os outros. Estou certo de que outras manhãs virão…
Não se compreende, pois, onde está a falta de respeito pelo Estado de Direito democratico!
Pelo contrário, é D. Palha quem exprime tiques ditatoriais, ao não admitir a diferença de opiniões e o direito dos diferentes de lutarem pelas causas em que acreditam.

3. D.Palha, que se afirma sócio de uma empresa ligada à Tauromaquia, terá interesses no sector.
A paginas tantas, julgando os outros à sua medida e não percebendo que, para além disso, há quem aja apenas por valores éticos e por princípios, tem a desfaçatez de insinuar a existência de cumplicidade entre a minha iniciativa e uma alegada “proposta de uns senhores alemães para fazerem um empreendimento no local onde está a Monumental Praça de Toiros da Povoa do Varzim”.
De facto, a Associação Animal referiu publicamente essa possibilidade. Mas, pela minha parte desconheço quem são esses senhores, o que querem e porque o querem!
Se D.Palha tivesse o cuidado de ler a Moção a Favor da Declaração Municipal Oficial e Simbólica da Póvoa de Varzim como Cidade Anti-Touradas, veria que a minha proposta para a Praça de Touros nada tem nada a ver com isso!
Na verdade, o que proponho, no âmbito de um protocolo a estabelecer entre a Autarquia e a comunidade escolar local, é que este edifício possa ser transformado numa PRAÇA DO ENGENHO E ARTE, integrando um centro de interpretação ambiental, clubes de investigação (Matemática, Física e Química, Energias Alternativas…), espaços de produção de artes plásticas, oficinas de artes do espectáculo e de criação literária (dando continuidade às Correntes de Escrita), a realização de espectáculos e eventos ao ar livre, uma loja de Comércio Justo para promoção de Artigos da Terra (valorizando os produtos hortícolas locais e promovendo uma feira semanal de produtos de agricultura biológica) e um restaurante de cozinha mediterrânica, podendo a sua gestão vir a ser realizada por jovens universitários com apoio técnico do Município.

4. Por convicção humanista, recuso a visão antropocêntrica da vida que, não raramente, degenera no desrespeito pela Natureza e pelos outros seres vivos. O uso de animais em espectáculos e eventos públicos de carácter meramente lúdico, para gáudio de multidões eufóricas, resulta num acto gratuito e abusivo que em nada contribui para a dignificação da pessoa. A violência exercida sobre os animais é uma atitude retrógrada que, ao fingir ignorar-lhes a possibilidade da dor, não se coíbe de a provocar por puro divertimento.
Vivemos o tempo de um novo desiderato! A História corre a favor da ideia de que partilhamos a terra com outros seres vivos que urge respeitar.
A Moção que apresentei - na linha directa da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada pela ONU – Organização das Nações Unidas – não foi ainda compreendida.
Mas, apenas se atrasou o Futuro.
Mais cedo ou mais tarde, tal como em cerca de três dezenas de cidades de Espanha – a pátria da faena - a Póvoa de Varzim e Portugal, serão lugares onde se respeitam os animais.
Então, cumprir-se-á o Homem!

5. Por fim, deixo à consideração de todos o pensamento do Prof. Dr. Vera Cruz, da Universidade de Direito de Lisboa: “Por princípio de Direito Natural fixado a pensar no homem, não devemos sacrificar qualquer forma de vida como modo de divertimento e só para isso, mesmo que quem mata se considere um artista e a encenação da morte corresponda a uma forma de arte ou à expressão de uma tradição popular. Numa comunidade o Direito impõe escolhas onde o consenso não é possível. No conflito entre uma tradição local e a ordem pública geral prevalece a segunda sobre a primeira.”


02 Janeiro 2009

REFÉNS DA CASMURRICE


A notícia podia ser assim:


Fim das touradas foi a "medida mais popular"

Póvoa de Varzim. Câmara inundada com parabéns de todo o mundo. Autarca diz que nunca tinha sido tão felicitado por uma decisão. Depois da contestação inicial por parte dos aficionados, o fim das touradas em Viana do Castelo afigura-se, afinal, como uma das medidas "mais populares" do autarca social-democrata que lidera a câmara local desde 1993. A revelação foi feita ontem pelo próprio Macedo Vieira, dando conta de que desde que a autarquia anunciou a compra da Praça de Touros para reconverter o espaço em museu foi "inundada" por mensagens de felicitações de todo o mundo.
"Nunca tomei uma medida tão popular, internacionalmente. São mais de mil e-mails que recebemos de todo o mundo felicitando pelo fim das touradas", anunciou o social-democrata. Durante mais de um século, a tourada esteve intimamente ligada à Póvoa de Varzim, o que agora acabará com a compra, pela Câmara Municipal, da actual Praça de Touros. O objectivo passa por transformar o espaço num Museu de Ciência Viva, de forma a aproveitar a proximidade ao Parque Urbano, onde funciona o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental. (...)
"Temos recebido mensagens de apoio, por a Póvoa de Varzim ser uma cidade sem touradas", afirmou ainda, acrescentando: "No século XXI é uma atrocidade continuar a sacrificar animais em público daquela maneira", diz o autarca, sublinhando que a cidade não tem nenhuma tradição enraizada do género. "Não temos toureiros, forcados, touros ou cavalos", afirma. (...)



A notícia podia ser assim, mas não é!

Esta é uma versão adaptada para envergonhar Macedo Vieira e os seus satélites!


A Verdade faz-se substitindo:

Póvoa de Varzim por Viana do Castelo;

Macedo Vieira por Defensor de Moura;

social-democrata por socialista.


A notícia verdadeira que enaltece o Presidente da Câmara de Viana do Castelo foi escrita por Paulo Julião e publicada no Diário de Notícias, na véspera de Natal.


A verdade é que, por causa da casmurrice que grassa na Póvoa de Varzim, é-nos roubado o direito a uma notícia assim.


Até quando?





27 Dezembro 2008

EM ÁGUAS DE BACALHAU


Ao jantar, dei comigo num registo tão surrealista como o de algumas coisas que acontecem à nossa volta. Percebi, por fim, a razão da tradição do fiel amigo com batata cozida, legumes e azeite, se manter de pedra e cal, na ceia de Natal. É que, definitivamente, na cidade e no país, a impunidade está à tona e tudo o resto é deixado em águas de bacalhau.

21 Dezembro 2008

SAPATADA



Um jornalista iraquiano, Muntadar al-Zeidi, atirou dois sapatos a Bush. Diz Daniel Monteiro no Expresso: “Finalmente ficámos a conhecer as famosas armas de destruição maciça que os iraquianos tinham escondido”.
Sobre o mesmo tema, o editorial do prestigiado semanário, condenou a atitude do atirador furtivo, considerando que, do ponto de vista ético, era deplorável ter havido aproveitamento da condição de jornalista que se encontra em acção para manifestar uma posição política numa conferência de imprensa. Isso faria sentido, se alguém acreditasse que os jornalistas são virgens neutras e sem opinião e que não usam as suas posições políticas quando exercem a profissão, e que o fazem muitas vezes de forma muito mais perigosa, porque o disfarçadamente.
É por isso que prefiro a franqueza genuína de Yvonne Ridley, jornalista inglesa que, no mesmo jornal, aplaudiu a ousadia do seu colega iraquiano. O iraquiano, quando atirou os sapatos ao primeiro responsável por uma guerra iníqua, disse que o fazia pelas viúvas e órfãos que resultam dessa aventura que tem na sua génese a manutenção da influência norte-americana na região e o abocanhar do petróleo que por lá existe. Yvonne defende o colega de profissão dizendo que ele não devia ser castigado por se ter expressado daquela forma, pois muita gente pensa que Bush é um criminoso de guerra, e que, como iraquiano, ele tinha o direito de vazar as frustrações.
Claro que, a dúvida também nos ocorre. Enquanto jornalista deve-se ser imparcial e reportar os factos tal como são. Mas, é óbvio que, ali, a mágoa do cidadão, sobrepôs-se à profissão. Na circunstância, isso é compreensível. “Quaisquer que sejam os protocolos que quebrou, não matou ninguém e o seu acto isolado de desafio ao homem mais poderoso do mundo trouxe um pouco de alegria a uma região que tem sido privada de tanta coisa. Paremos com as denúncias bombásticas e dêmos ao homem uma medalha…e um par de sapatos novos”, concluiu Yvonne Ridley.
Entretanto, enquanto a sapatada contra Bush passa a jogo na Internet, quem também ganhou foi a Baydan Shoes Company, a empresa turca que fabricou os sapatos que o jornalista arremessou contra George W. Bush, e que terá recebido 300.000 novos pedidos do modelo.
O empresário Ramazan Baydan, que é o criador do modelo agora famoso, disse que os sapatos são produzidos há cinco anos e vendidos principalmente a países do Médio Oriente e à Rússia. No Iraque custam cerca de 27 dólares. Baydan conta que o modelo que desenhou há dez anos se mantinha na moda. “Agora que tornou-se um símbolo de democracia para o povo do Iraque e fico emocionado com isso”, declarou o empresário, que garantiu que a família Zaidi terá sapatos grátis por toda a vida, ao mesmo tempo que criou um slogan para alavancar as suas vendas. “Adeus Bush. Bem-vinda, democracia”.
Ok! Já sei! Agora virá alguém dizer que foi Bush que levou a democracia ao Iraque e que se não fosse Bush, os iraquianos continuariam debaixo da repressão do facínora Sddam Hussain, enforcado no penúltimo dia de 2006, num contexto político e jurídico muito pouco dignificante, que em nada engrandece a verdadeira democracia.

18 Dezembro 2008

UMA QUESTÃO DE ESQUERDA


«O PS mudou de posição. É preciso reconstruir a esquerda dentro ou fora do PS, não tenho medo de dizê-lo», disse Manuel Alegre, esclarecendo que não é obrigatório que seja «protagonista» de uma nova solução política.
Manuel Alegre, ao SOL

Acho que é preciso reconfigurar a esquerda portuguesa mas isso não se faz sem os eleitores, militantes e simpatizantes do Partido Socialista. Não estou interessado em criar um clubezinho. Quero que a democracia seja clara e transparente. Que as forças conservadoras se assumam e que a esquerda seja esquerda, é isso que eu quero.”

Manuel Alegre: Não estou interessado em formar um clubezinho, in Público 17.12.2008
UMA QUESTÃO DE ESQUERDA
Baptista-Bastos, escritor e jornalista


As televisões e as rádios fizeram, nestes dias, uma pergunta aflita: Portugal precisa de um novo partido à Esquerda? A inquietação provinha da circunstância de um grupo de pessoas se ter reunido na Aula Magna, para confirmar o que toda a gente sabe: o Partido Socialista não é peva socialista. Manuel Alegre foi o rosto do conclave e, um pouco irado, falou "neste" PS como a absurda negação de um "outro." A verdade é que nunca houve "outro." Desde a "fundação", o PS foi uma espécie de elaboração ininteligível, com estuques róseos. Vale a pena recordar: logo no PREC, o grito d'alma dos militantes era: "Partido Socialista, partido marxista!" Depois, o vozear amaciou, até desaparecer numa gaveta onde se guardou, até hoje, o "socialismo."
Estou em crer que Portugal não precisa de um novo partido à Esquerda. O que Portugal precisa é de que o PS seja, efectivamente, um partido de Esquerda ou que, em definitivo, deixe de dizer uma coisa e faça outra. Em suma: não se trata de argúcia, trata-se de ética.
A reunião na Aula Magna não prefigurou um país fantomático. Representou, no meu entender, um outro modo de reflectir o descontentamento generalizado. Nenhum dos assistentes era, meramente, decorativo: eles exprimiam uma intenção realmente crítica, com a única legitimação da vida que estamos a viver. A sua reprovação dos métodos e das práticas deste Governo não significa que pensassem na criação de um novo partido de Esquerda. Porque seria não só absurdo como, sobretudo, inútil. As próprias reivindicações ideológicas da assembleia ilustram, apenas, uma fidelidade: às propostas de Abril, sobre as quais o PS tripudiou, miseravelmente. Talvez esta "fé" surja como um patético anacronismo. Talvez corresponda a um imaginário anterior, e já delido. Mas convenciona o mal-estar desesperado e obsidiante que se colou à nossa vida.
Sabe-se: José Sócrates não serve. Transformou a política numa tagarelice. A imprecisão da sua ideologia confunde-se com a paixão do poder, e a relação entre ambas compromete, irremediavelmente, o nosso futuro e o nosso destino. A sua maneira fisiológica de dizer as coisas é, quase sempre, ocasional. Embora uma análise textual revelasse a natureza rudimentar do discurso. Não há interlocutores para Sócrates, e, acaso, o encontro na Aula Magna fosse a urgência e a necessidade de um largo sector da Esquerda "silenciosa" proclamar outra exigência política. Numa manifestação desta índole, o PCP não deveria ausentar-se. Cedeu a um preconceito histórico que tem minado a Esquerda, e não só em Portugal. O que está em causa é a prioridade de se escapar, tanto à hegemonia como à subordinação. O PCP faz parte da Esquerda - mas não é "a" Esquerda.

in Diário de Notícias, ed. 2008.12.17

A CRISE E OS MILHÕES



O que Mário Soares nos diz, e diz para quem quizer ouvir...
"A crise aprofunda-se e generaliza-se. Os Estados desviam milhões, que vêm directamente dos bolsos dos contribuintes, para evitar as falências de bancos mal geridos ou que se meteram em escandalosas negociatas. Será necessário. Mas o povo pergunta: e as roubalheiras, ficam impunes? E o sistema que as permitiu - os paraísos fiscais -, os chorudos vencimentos (multimilionários) de gestores incompetentes e pouco sérios, ficam na mesma? E os auditores que fecharam os olhos - ou não os abriram suficientemente - e os dirigentes políticos que se acomodaram ao sistema, não agiram e nem sequer alertaram, continuam nos mesmos lugares cimeiros, limitando-se a pedir, agora, mais intervenções do Estado, com a mesma desfaçatez com que antes reclamavam "menos Estado" e mais e mais privatizações?Pedem-se e pediram-se sacrifícios para cumprir as metas do défice, impostas por Bruxelas. Mas, ao mesmo tempo, os multimilionários engordaram - os mesmos que agora emagreceram na roleta russa das economias de casino - e os responsáveis políticos (os mesmos, por quase toda a Europa) não pensam em mudar o paradigma ou não anunciam essa intenção e não explicam sequer aos eleitores comuns, os eternos sacrificados, como vão gastar o dinheiro que utilizam para salvar os bancos e as grandes empresas da falência, aparentemente deixando tudo na mesma? E querem depois o voto desses mesmos eleitores, sem os informar seriamente nem esclarecer? É demais! É sabido: quem semeia ventos colhe tempestades...(...)"

in "A CRISE E OS MILHÕES", DN, edição de 2008.12.16


17 Dezembro 2008

TRIAGEM DE WINCHESTER


Imaginem um partido político a criar um espaço cibernético para ligar militantes e simpatizantes numa sala on-line para o encontro e o debate de ideias, um espaço interno de liberdade de expressão.
É bonito não é?
Agora imaginem o mesmo partido, inopinadamente, a fazer a triagem das opiniões que percorrem os corredores individuais até à sala do colectivo. Imaginem a seguir um ladino sucedâneo do lápis azul de outrora, a rasgar algumas opiniões por se atreverem a criticar a direcção do partido.
Ainda será bonito?
Imaginem, ainda, o que aconteceria a este post se ousasse levá-lo à sala on-line desse partido que mutila a democracia e auto-mutila a sua história para reconstruir uma sombra tenebrosa de si mesmo, nesta nova onda encapelada em nome dos supremos interesses partidários (o que é isso? Desde quando é do interesse partidário impedir-se a crítica à direcção do partido? Que invencionisse é essa?)
Talvez um tal partido não exista. Mesmo assim, a blogosfera afirma-se pelo exercício como um reduto e um autêntico espaço de liberdade. Por isso ele incomoda tanto, ao ponto de, sorrateiramente, se obrigar ao silêncio de alguns, sem que, quem os manda calar verifique no terreno se o que por eles é dito tem ou não algum fundo de verdade!
Talvez um tal partido não exista, apenas porque o número dos que não acreditam que isso seja possível em democracia ainda seja pequeno!
Talvez um tal partido não exista, e o tal espaço criado em nome da transparência, da liberdade de expressão e do debate de ideias não tenha descambado numa farsa.
Se existisse um tal partido, convocaria à memória o meu amigo Manuel Lopes para apontar como ele disse um dia, em relação a um homem do Porto que copiava os modos de desprezo da capital perante os provincianos do norte: Já estão contaminados!
Eu não gostaria que um tal partido existisse.

14 Dezembro 2008

CAPÍTULO NEGRO



“Devemos encerrar a era Bush com uma Comissão de Verdade, que determine como fechar este capítulo negro da história dos Estados Unidos.”


Kenneth Roth, director da ONG Human Rights Watch, em entrevista ao diário espanhol “El País”

À PROCURA DA NOVA ESQUERDA


"O grande tabu que tem de se quebrar: o de que há uma esquerda que, quando chega ao Governo, deixa de ser praticante de politicas de esquerda, e há outras esquerdas que se refugiam no contra-poder"

Manuel Alegre

13 Dezembro 2008

STUDY CASE

imagem publicada por ppramada.blogspot



Imagine-se num país imaginário.
Fulano é militante do partido e funcionário do organismo público há muitos anos. Há tantos quantos os que partilha em diversas cumplicidades.
Faz favores e recebe favores. Há muito que tira vantagem da sua posição numa instituição e noutra, e tudo ia correndo às mil maravilhas: ganhou horas extraordinárias fictícias para pagamento da fidelidade partidária; teve carro à disposição, à custa do erário público, fora do horário público; arrecadou lugares no mesmo organismo para familiares e amigos, desde que também o fosse do partido. Em contrapartida, foi ininterruptamente cabo eleitoral, com dinâmica para todas as necessidades, e semi-serrou os olhos às irregularidades dos que lhe facultavam as vantagens.
Tudo ia correndo às mil maravilhas, até que a rotineira e perigosa sensação de impunidade, abriu brechas ao descuido, e Fulano, refém da sua própria ambição, exagerou na colheita. De tal sorte que foi inevitável investigar.
O investigador, por certo recebendo ordens dadas a contra gosto pelos responsáveis do organismo, acabou por concluir pelo desvio do pilim e de materiais comprados que não chegaram ao destino, que alegadamente o justificavam na encomenda exagerada, por terem sido desviados para o destino da merenda.
Fulano, a quem cabia a gestão da obra orçamentada em 5, acabou por ficar com a diferença do custo que atingiu, inacreditavelmente, 5 vezes 5! Cinco vezes qualquer coisa é coisa demais. É uma tranca no olho que não pode ser disfarçada com a cor das lentes. Vai daí, o investigador nomeado investigou. Encarregado de relatar, relatou. O decisor que deve decidir ficou com duas opções que coloco ao leitor para decidir também ou tão bem!

Hipótese A
O decisor tem uma conversinha de trás da orelha com Fulano, encosta-o à prateleira, afasta-o do campo de outras oportunidades de delito antes que sobre para si próprio, promete-lhe uma saída sem alarido para que não fique sem a reforma, e abafa o caso para não ter que dar mais explicações. Ah! Continuará a contar com a discrição de Fulano em relação a assuntos delicados, e com a sua colaboração em próximas campanhas.

Hipótese B
O decisor promove um sério e transparente inquérito disciplinar, enquanto determina a suspensão de funções de Fulano. Vem a concluir, à face da lei, que tendo havido delapidação e apropriação indevida do erário público, deve ser aplicado ao infractor o mais alto castigo do estatuto da função pública, a expulsão. Ao mesmo tempo, por ser um caso de polícia apresenta queixa ao Ministério Público contra Fulano e contra Sicrano, respectivamente, o mau funcionário e o fornecedor que fingiu vender materiais para a obra e que em vez de os entregar no estaleiro os descarregou no local indicado pelo outro.

Este é um caso hipotético. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Por isso, como disse Eça de Queirós a Bulhão Pato, não se metam nas minhas personagens.
É apenas um exercício. Um treino da capacidade decisória num Estado de Direito Democrático.
Ora, o que escolheria você? A hipótese A ou a B?
Por mim, não tenho a menor dúvida, até porque a Boa iniciativa começa pela mesma inicial!

08 Dezembro 2008

TOIROS II


"Caçar como diversão? Fazer sofrer um touro na praça para que o público desfrute e uns quantos façam negócio? Façam o quiserem, mas não o partilho."


Rainha Sofia de Espanha,
num livro que foi publicado recentemente por ocasião do seu 70º. aniversário.




07 Dezembro 2008

TOIROS

foto de Fernando Salgueiro


CÂMARA COMPRA PRAÇA E ACABA COM TOURADAS, li há uns dias atrás, no Diário de Notícias.
Com epicentro em Viana do Castelo, a esperança voltou a ter côr à minha volta.
Na Póvoa, a Praça de Touros foi adquirida pelo Município há mais de vinte anos.
Na altura era membro da Assembleia Municipal e votei a favor dessa aquisição.
Aparentemente, na Póvoa, seria mais fácil dar o passo seguinte: acabar com touradas, garraiadas e afins.
Mas na Póvoa, prisioneiros dos seus estranhos preconceitos, os decisores políticos gastam mais energia a exibir a brutalidade da sua força eleitoral do que a orientá-la para concretização da modernidade.
Na Póvoa, o padroeiro anda demasiado ocupado com os naufrágios em que vai rodopiando o poder local, que se arrasta por uma maioria autocrática, arrogante e obstinada. Com o naufrágio das piscinas na memória, e o presságio do naufrágio do bom senso, o santo faz tudo para manter a possibilidade da inteligência emergir do confronto com as ondas encapeladas do alto mar da mediocridade política. Tão oupado que está nesta espécie de sarilho que tenta trazer do fundo uma luz de sabedoria, S. Pedro não tem tido tempo sequer para convidar a ajuda de outros santos.
Em maior sossego, lá no monte sereno onde acontecem horizontes mais amplos, por certo Santa Luzia ilumina sem dificuldade as gentes do Lima.

Em 17 de Março de 2008, tentei e não consegui!

Tornar a Póvoa de Varzim, a minha terra, a terra que me havia elegido Vereador, a PRIMEIRA CIDADE ANTI-TOURADA DE PORTUGAL!

Uma cítrica maioria - que envergonha a social-democriacia - chumbou a proposta sem sequer arriscar um argumento. Usou apenas o argumento do exercício de um poder, que, ainda não percebeu, lhe foi emprestado e é efémero.

O Presidente DEFENSOR DE MOURA tem todas as condições para o conseguir!
Aqui o saúdo, saudando os que o acompanham. E saúdo a caminhada que se inicia em Viana do Castelo com a certeza de um tempo de maior dignidade que engrandecerá o Homem!

E aqui lhe deixo o bom desafio ao passo seguinte:
tornar Viana do Castelo, mais a norte e com mais norte na mente e na alma, a PRIMEIRA CIDADE ANTI-TOURADA DE PORTUGAL!

01 Dezembro 2008

FABRICAÇÃO DE SUBJECTIVIDADES OBEDIENTES




Um filósofo internacionalmente reconhecido...
...que nos dá que pensar, digo eu!

“ (…)
Quebrou-se-lhes a espinha, juntando ao desespero anterior um desespero maior. O ambiente das escolas é agora de ansiedade, com a corrida ao cumprimento das centenas de regulamentações que desabam todos os dias do Ministério para os docentes lerem, interpretarem, aplicarem. Uma burocracia inimaginável, que devora as horas dos professores, em aflição constante para conciliar com uma vida privada cada vez mais residual e mesmo com a preparação das lições, em desnorte com as novas normas (tal professor de filosofia a dar aulas de baby-sitting em cursos profissionalizantes), tudo isto sob a ameaça da despromoção e do resultado da avaliação que pode terminar no desemprego.
(…)
No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação, representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento, e de fabricação de subjectividades obedientes. Conviria chamar a este mecanismo tão eficaz, ”a desactivação da acção”. É a não inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica política, à maneira de certos processos psicóticos.”


José Gil, filósofo, Visão, 2 de Outubro de 2008

ESTACA ZERO


1. O Plano Director Municipal da Póvoa de Varzim entrou em vigor em Agosto de 1995, cerca de um ano após a tomada de posse de Macedo Vieira no seu primeiro mandato como Presidente da Câmara. Era Primeiro-Ministro, Cavaco Silva.
2. Um ano de mandato decorrido não foi suficiente para elaborar um tão importante quanto complexo instrumento de gestão urbanística. Na verdade, os trabalhos que estão na sua génese foram iniciados no último mandato de Manuel Vaz.
A dupla Aires/Macedo, para além dos projectos e dos milhões herdados do seu antecessor, também herdou o PDM praticamente concluído, e ter-se-á limitado a fazer-lhe acertos de pormenor.
3. O prazo máximo de vigência do PDM é de 10 anos, a contar da sua entrada em vigor, devendo a revisão, de acordo com a lei ser realizada antes de decorrido esse prazo.
4. Isto é, em Agosto de 2005 o PDM da Póvoa anunciava o fim dos seus dias!
Se a dupla Aires/Macedo fosse realmente competente, teria já em curso, nessa altura, todos os estudos e trabalhos necessários à sua revisão.
E se fosse realmente democrática, o que implica ter uma visão e uma prática objectiva no sentido do estímulo à participação dos cidadãos (afinal os destinatários dos efeitos do PDM), também teria organizado sessões informativas e debates, envolvendo o maior número possível de pessoas e organizações locais num espaço amplo de reflexão e discussão sobre o futuro do Concelho.
5. Como não é, nem uma coisa nem outra, quando o novo Executivo, saído das Eleições de Outubro, tomou posse, a única estaca que se conhecia tinha o número zero.
6. Citando o Prof. Costa Lobo, é minha convicção que “o PDM tem que ser um serviço para optimizar soluções dos problemas do território, tem que ser uma festa, mas exige a colaboração de todos, a tal exigência social e moral a que todos nos obrigamos como seres humanos conscientes e bem formados.”
7. Por isso, em
22 de Novembro de 2005, considerando que o PDM da Póvoa é um instrumento demasiado importante para permanecer desconhecido e inactivo, apresentámos uma proposta no sentido de, tão breve quanto possível, ser feito um Ponto de Situação do processo de revisão do PDM em reunião do Executivo Municipal, e de ser elaborado e concretizado um programa de acções constituído por exposições e conferências temáticas (entre outras, habitação, mobilidade, equipamentos, ambiente e paisagem, sinalética), bem como a criação e divulgação de um sistema amigável de recolha de comentários e sugestões dos Munícipes.
8. Com a habitual e intricada arrogância que lhe vai na alma, a maioria PSD liderada pela dupla Aires/Macedo chumbou a proposta.
9. Mais de três anos depois, tudo permanecia na mesma: os trabalhos de revisão do PDM, se é que estavam realmente em curso, continuavam a ser desenvolvidos no mais completo segredo, afastado do conhecimento dos Vereadores da Oposição, da Assembleia Municipal e da população em geral. Consta que forneceram umas plantas aos presidentes de junta, não sei se a todos. Mas, a análise das consequências do PDM de primeira geração, cuja validade se esfumara antes, e o debate sobre o modelo de desenvolvimento, sobre os objectivos futuros e os instrumentos e medidas a implementar para os próximos dez anos, continuavam por fazer com a transparência e a participação que o nosso futuro comum exige!
10. Por isso, na última reunião de Câmara em que participei,
a 17 de Março de 2008, não podia deixar de voltar a propor tal desiderato. Os meus camaradas, tal como antes, subscreveram a renovada proposta.
11. Com a habitual e intricada arrogância que lhe vai na alma, a maioria PSD liderada pela dupla Aires/Macedo voltou a chumbar a proposta.
12. Que se saiba, só a maioria PSD e quem a dupla Aires/Macedo ela entende informar, conhece as propostas de revisão do PDM! Os vereadores da Oposição, a Assembleia Municipal e os cidadãos em geral vão sendo mantidos à margem, na mais completa ignorância!
Transparência? Não! Águas turvas...
Informação? Não! Porque havemos de saber tanto como eles?
Participação? Não, que isso, nas palavras do formidável presidente, seria excesso de Democracia…
13. Não é crível que a Maioria PSD conclua a revisão do PDM neste mandato! Aliás, aproximando-se novo ciclo eleitoral, é mesmo improvável que se disponha a qualquer debate que lhe possa trazer dificuldades e quiçá, a perda de votos.
O debate político está marcado pelo fatalismo, pela política do «tem que ser», do «não pode ser de outra maneira». Por isso tem sido fácil manter o debate urbanístico num nível incipiente. As soluções sobre política urbanística são servidas aos cidadãos já «prontas», poupando-lhes o incómodo da participação.
A dupla Aires/Macedo é perita nesta forma de actuar.
O mais certo é que, numa farsa semelhante à das outras vezes, venha a fazer uma ou duas grandes sessões… numa discussão pública nos mínimos que a lei exige, para simular democracia…mas, só depois de terem tudo arranjado e decidido!
Tenho quase a certeza de que isso só acontecerá durante o próximo mandato!
Entretanto, o resultado é quatro anos perdidos por manifesta incompetência e irresponsabilidade políticas!

A questão é: quando é que as Oposições exigem de forma veemente uma outra atitude, mais amiga da cidadania, da cidade e dos cidadãos?


EM RODAPÉ
1 de Dezembro de 2008. Dia da Restauração da Independência. Dia em que se celebra a recuperação da essência da portugalidade face ao jugo invasor de Espanha. Dia que gostaria que fosse, também, o da independência em relação à mediocridade e à arrogância que engana a Democracia.
Num dia igual ao de hoje, num fundo preto para evidenciar melhor todas as cores, abri na blogosfera o meu espaço de liberdade de expressão, um espaço para tentativas de reflexão e de escrita, num tempo em que, noutras esferas comunicacionais, o pluralismo e a liberdade são politicamente incorrectos.
No Cá-70, cá continuarei tentando…

29 Novembro 2008

TAMANHO ESFORÇO INTELECTUAL

foto retirada do Póvoa Semanário online

1. Num post de 23 de Agosto, disse que basta um simples esquema no papel para perceber que os efeitos do modelo de cruzamento implementado na nova Avenida Mouzinho são óbvios, como seria óbvio esperar que os responsáveis técnicos e políticos da “obra do século que, nas contas de Vieira, ficou a custo zero” tivessem isso em consideração e, das duas uma, ou não implementavam este novo figurino ou tinham, desde logo, promovido o necessário antídoto, que se prova não saberem qual é!

2. Também disse que “seja como for, deve dar-se prioridade à segurança sobre a rapidez. E entre o tempo de espera por cada sinal verde (que será de cerca de quatro minutos, a manterem-se todas as opções de direcção...) e apenas o reforço da sinalização para que vai apontando o tal Vereador, talvez a solução passe por apenas autorizar os movimentos em frente e à direita, regulados pelos semáforos tricolores.”

3. Os iluminados gestores da minha terra não previram o problema quanto engendraram o capricho e demoraram três meses para perceber o óbvio!
Anunciam agora, provavelmente depois de um desesperado e incomensurável esforço intelectual, que, “a partir das 24h00 da próxima terça-feira, dia 2, vai entrar em funcionamento o sistema de semaforização do cruzamento da Avenida Mousinho de Albuquerque com a Rua Gomes de Amorim (Estrada Nacional 13). Para além disso, alerta-se para a recente sinalização vertical e horizontal implantada neste cruzamento que proíbe os condutores de virarem à esquerda, bem como para a importância em cumprir os limites de velocidade dentro das localidades estipulados no Código da Estrada.”

In “Cruzamento da Avenida Mouzinho com EN13 - Semáforos em funcionamento no dia 2 de Dezembro, edição electrónica de A Voz da Póvoa, 28-11-2008

28 Novembro 2008

O QUE ELE DISSE NÃO FOI ELE QUE DISSE


1. O jornalista disse que ele disse.
2. Por causa do ele que disse, e por que não tenho memória de peixe, eu disse no Cá-70 o que disse…E consta que, por causa de um caso tão estonteante, outros disseram coisa semelhante!
3. Por causa do que ele disse, o líder da oposição disse que o que ele disse não é coisa que um Presidente diga, que não há espaço para comportamentos desta natureza e que este tipo de atitudes é uma falta de respeito para com a população.
4. Eu não disse, mas digo que o que ele disse, depois de ter estado às avessas e ter dito o seu contrário pouco tempo antes, é uma marotice indesculpável contra à Inteligência.
5. Agora ele diz que não disse, e o que disse não era o bem o que disse, que o líder da oposição está fora de si, que está distraído e que mentiu quando disse que ele disse o que disse!
6. Disse(o) e disto já estamos fartos de tanta tolice!
7. Mas, alguém disse! Se não foi ele, foi o jornalista que disse que ele disse!
8. Alguém mentiu! Terá sido o jornalista quando disse que ele disse o que disse?
9. Pelo que vi descrito na notícia, eu disse que me parecia ter tudo acontecido num discurso gorduroso. Talvez não tenha sido apenas gorduroso, mas oportunidade para mentiroso.
10. Quem mente afinal em tudo o que se disse? O jornalista? O líder da oposição? Ou ele, o caso fenomenal?

Diria o Bocage, o das anedotas: "Meus senhores e minhas senhoras, o que aquele senhor disse, não foi ele que disse: fui quem o disse!"