29 junho 2007

CONTO SURREALISTA


Na mercearia da sopa de letras, a versão contemporânea da napoleónica figura lá comprou mais um vocábulo para usar em discursos malabaristas.
Há muito que sabia como fazer a coisa, faltava-lhe apenas o verbo. Encontrou-o, por fim, num alfarrabista e agora serve-lhe como uma luva.
Palavrões como esquizofrénico, e expressões como ânsia de protagonismo ou euforia mediática, já o cansam pela repetição. Precisava de algo de novo para caçoar da outra posição. Eis que aumentou as margens da sua lagoa vocabular e passou a dizer que o modo de agir dos que o contrariam e lhe descobrem as fragilidades é CAPCIOSO!
O curioso é que comprou a palavra mas não sabe aplicá-la. Ter-se-á esquecido do manual de instruções?
É que não pode considerar capcioso o que é dito com frontalidade, às claras, sem subterfúgios.
Como se há-de chamar, então, a esta tendência para enganar dizendo que os outros nos enganam?
Alguém tem uma palavra que me venda para o poder exprimir?

7 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Boa

30 junho, 2007 09:56  
Anonymous Anónimo said...

«Capcioso» não será o que lhe chamaram quando surgiu aquela placa em Aguçadoura a dizer que era uma ETAR ... e afinal era um ardil «capcioso»?

Induzir em erro não será o que tem sido feito em vésperas de eleições?

O certo é que Sócrates fez o mesmo e ... ganhou.

30 junho, 2007 10:12  
Blogger CÁ FICO said...

S.Pedro era Pescador...

Pescador é sinónimo de capciador?

Ou será melhor traduzido por "saca-rolhas" ?

CAPCIOSO é "neologismo" pois não figura nos dicionáris mais antigos e de renome comprovado...


será a contracção da palavra CAPital, com a palavra ambiCIOSO?

30 junho, 2007 12:28  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Caro arquitecto:

Será que não se apercebeu que ele tem razão? Além de portador do "vírus" da transparência, tem o despudor, a premeditada intenção de penetrar no âmago do executivo municipal, de cometer o sacrilégio de devassar as contas, de se intrometer nas decisões e nas opções estratégicas, sei lá, talvez se queira "colar" de forma subtil a este executivo tão impoluto, tão recheado de puras intenções...

O "gérmen" da maledicência impregna a sua oratória, olvidando de forma estulta a sacrossanta Maioria, obtida nas urnas. Capcioso sim, diria até, quase falacioso.

Vá lá, curve-se respeitosamente, ajoelhe e dobre a cerviz como fazem quase todos... até alguns que deveriam ajoelhar só perante Ele!...

30 junho, 2007 14:06  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Vasculhei numerosas fontes: dicionários, gramáticas, tratados de psicologia, biografias, etc. Não encontrei resposta adequada.
O mais próximo que achei foram palavras que ficam muito aquém da exacta definição daquilo que nos é apresentado; deve tratar-se, portanto, de um caso raríssimo.
Todavia, sou de opinião que uma tal palavra deve ter a sua origem no Grego, dado que nas grandes praças da antiga Grécia podiam encontrar-se indivíduos com características parecidas com as indicadas; não sei é como eram então chamados...

30 junho, 2007 15:16  
Anonymous cheiodecertezas said...

Ele tem um vasto vocabulario e consegue impressionar o pior vai ser depois.

quando vierem a tona aqueles negocios paralelos

01 julho, 2007 12:08  
Anonymous Anónimo said...

anda meio-mundo a enganar outro meio

06 julho, 2007 12:02  

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