10 junho 2007

MANEIRAS DE VER


Na entrevista a Diamantino, ficou a a saber-se que "o PSD argumenta, ainda, que deve ser o mercado a funcionar para "que não suceda com o futuro transporte público urbano intermunicipal o mesmo que com o Metro do Porto, cuja baixa adesão espantou os teóricos que implementaram o seu paradigma".
ANA MARQUES JN edição de 2007.06.06
Números veiculados pela comunicação social apontam para uma utilização da Linha Vermelha do Metro de cerca de 50% do estimado.
A julgar pelas suas declarações, para o PSD de Diamantino, tal resultado não aconteceria se esta linha interurbana fosse concebida, construída e gerida por alguma empresa privada, pelo “mercado”.
Há diversas maneiras de pôr a cabeça. Esta é só mais uma. De facto, Diamantino esquece que, a promoção do veículo individual – para o que obras como o parque subterrâneo da Av. Mouzinho contribui…- tem levado a uma preocupante diminuição da utilização dos transportes públicos. Segundo o Expresso de 9 de Junho de 2007, “na AMP, os valores de uso do transporte individual evoluíram de 31% para 52% no período assinalado de 1991-2001, enquanto o uso do transporte colectivo desceu de 42% para 28%”. E o cenário na Póvoa é muito pior, uma vez que dados de 2002 revelam que a utilização do transporte colectivo – que é obra do mercado, com 7 operadoras privadas e três dezenas de carreiras na maior das confusões – é de apenas 8%!
Mas, o PSD de Diamantino também esquece que, no caso especifico do Metro, o facto de, durante os três anos que durou a execução na nova linha, a empresa pública ter literalmente maltratado antigos utentes do comboio, pondo à sua disposição um péssimo serviço de transportes alternativos. Tal facto levou a que muita gente, aborrecida, deixasse de utilizar o transporte público, adquirisse e passasse a viajar de automóvel no seu quotidiano. Muitas vezes nos batemos contra o serviço medíocre prestado pela Metro aos antigos utentes do comboio. Nessa altura o PSD de Diamantino assobiava para o lado. Hoje é visível que uma tão estúpida estratégia comercial, além de não atrair mais gente para o sistema, afastou muitos dos seus tradicionais utentes.
E o PSD de Diamantino também esquece a falta de articulação do Metro com inexistentes soluções locais de âmbito rodoviário, capazes de proporcionar o acesso a este novo equipamento às pessoas que vivem na periferia da cidade e noutras zonas do concelho, e que isso é uma responsabilidade local. Ora, uma vez resolvida, potenciar-se-ia o Metro também como meio de transporte de ligação das zonas a nascente da cidade e com Vila do Conde, cidade com quem se estabelecem 39.000 deslocações diárias. Foi para suprir essa falta que o Projecto Bolina construiu a proposta de criação de uma Linha Azul com Park&Ride. Para Diamantino, talvez não seja nada de novo. Mas e pena que, sendo “velho” não contribua para a sua materialização: se o fizesse estaria a ser amigo dos cidadãos!
Finalmente, se uma das razões largamente invocada pelas pessoas para não usar o Metro é o preço elevado do título de viagem, que o Estado subvenciona, não é crível que esse título fosse mais barato se fossem os privados sozinhos a gerir o sistema. Ou será?

Já que falamos do Metro, é sintomático que Macedo Vieira tenha dado o seu aval a um protocolo com o Governo para a construção da segunda fase do projecto e não tenha garantido - nem perdido tempo, que se visse, a lutar – para que fosse contemplado o prolongamento da linha até Barreiros. Este facto diz bem do seu interesse pela mobilidade sustentável, pela cidade e pelos Poveiros. E revela o seu real peso político na AMP: zero!

5 Comments:

Anonymous Filipe Dias said...

Boa, meu!
Assim é que e dar-lhes!

11 junho, 2007 08:08  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

A futurologia é algo de arriscado e ninguém humanamente pode dizer o que é certo ou errado num determinado domínio. Acredito que o transporte público (lato sensu)
poderá ser um sucedâneo útil e vantajoso para o transporte individual. Os custos, em termos de sobrecarga poluente, do transporte privado, virão a ser nocivos em domínios bem amplos.

Agora invocar o "sacrossanto nome do mercado" é um pouco falacioso.

Mas... há quem viva em falácia permanente.

11 junho, 2007 19:53  
Blogger MC said...

Volto a escrever uma coisa que já escrevi aqui.
Não há nenhum economista digno desse nome, por mais liberal que seja, que não perceba que o sector dos transportes é um caso de monopólio natural.
E qualquer manual de economia liberal defenderá que nesse caso cabe ao Estado regular esse mercado.

Toda a teoria económica de mercado (já para não falar da prática) está contra os argumentos do PSD local, que estupidamente se defende com "argumentos de mercado"

12 junho, 2007 16:47  
Blogger MC said...

Acabei de ler um comentário seu dizendo que as autoridades devem definir a rede e só depois deixar o mercado funcionar.

Foi exactamente isso que foi feito em Curitiba, um caso exemplar a todos os níveis (especialmente porque a cidade tinha poucos fundos). O sistema é todo privado, mas é a prefeitura que define as obrigações das empresas. O modelo de Curitiba é agora alvo de inspiração por todo o mundo.
Eu nem sou grande defensor do mercado neste caso, mas para quem quer usar o mercado que se baseie
em Curitiba.

Como dizia Ronald Coase (da escola de Chicago, conhecida pelas suas visões ultra-liberais, e que ganhou o prémio Nobel da economia), mesmo o mercado bolsista - normalmente apresentado como o melhor exemplo do mercado a funcionar - tem que ser altamente regulado para que funcione.

12 junho, 2007 17:09  
Anonymous pobeirinho sem ser pela graça de deus said...

Vale a pena meu caro amigo gastar cera com tão ruins defuntos. Como argumentar com alguém que só chegou a Vereador por via canina?! A Póvoa tem os gerentes que merece. Só não merece a sua preocupação e empenho.
Já reparei que o cuidado posto na abordagem da sua iniciativa, dando conhecimento aos seus pares na vereação municipal de cá e de lá, pretendia iniciar um processo de civilizadas relações democráticas entre pessoas eleitas. Foi mais uma ingenuidade sua. Você está lidando com gente má, sem carácter e sem princípios. Ao jeito da Póvoa. Que me perdoem os poucos posso ofender.

14 junho, 2007 00:14  

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