13 maio 2006

NOVOS CAMINHOS AO PÉ DO MAR

Foto de Paulo Medeiros
1. A energia das ondas representa teoricamente a maior fonte de energia renovável na Terra. Não obstante, este tipo de energia está, ainda, na retaguarda em termos de produção através de fontes renováveis.
Por isso, o anúncio do Parque de Ondas na costa da Póvoa de Varzim é uma boa notícia.
Segundo o JN, foi ontem apresentado o projecto do Parque de Ondas de Aguçadoura para a produção comercial de electricidade a partir da energia das ondas do mar, prevendo-se que as estruturas cilíndricas flutuadores terão capacidade para produzir electricidade limpa para um número entre 1500 e 2000 habitações.
A iniciativa da ENERSIS aponta para um investimento que pode aproximar-se dos 1100 milhões de euros até 2015. Mas, o mais interessante é que poderá constituir a base da criação em Portugal de um “cluster” exportador de tecnologia pioneira.
Aqui chegados, a Póvoa poderá encontrar uma oportunidade única! Se a Câmara Municipal perceber a importância económica e social da fileira das energias renováveis e for capaz de desenvolver uma enérgica acção de atractividade que leve à instalação do nosso concelho da fábrica que, numa segunda fase da intervenção da ENERSIS, será o centro de produção de parte das máquinas necessárias a este Parque de Ondas e, quiçá, a outros a criar ao longo da costa portuguesa e noutros países. É que, segundo o JN, nesta segunda fase, que deverá decorrer entre 2007 e 2009, a ENERSIS tenciona produzir mais 28 máquinas, com uma incorporação nacional de 50 a 65%!

2. Durante 16 anos os Executivos PSD não foram capazes de inverter a atitude “conservadora quanto ao padrão da base produtiva concelhia, não se registando apostas marcantes na diversificação produtiva”. Diante desta passividade, temos visto serem desviados para outros Concelhos oportunidades e projectos empresariais a par da fragmentação do tecido produtivo existente, com consequências graves para a qualidade de vida e a estabilidade do emprego.
É necessário construir as bases de um novo modelo de desenvolvimento para o concelho, que assente na formação e qualificação dos recursos humanos, na modernização do tecido empresarial, nas tecnologias da informação e na inovação. Neste sentido, importa elaborar projectos de acolhimento empresarial com vista a aproveitar os Fundos Estruturais, a potenciar as vocações existentes nas áreas da Agricultura, das Pescas, dos Serviços e do Turismo e a criar novos rumos para Indústria, que aqui sempre teve uma tímida expressão.
É óbvia a necessidade de implementar uma política de emreendedorismo, assente numa estratégia que valorize a diversidade multisectorial e ecologicamente sustentada. Mas, é claro para mim, que, atento o panorama energético nacional e o amplo campo de oportunidades que se abre com o combate à nossa dependência externa neste sector, mas também, e sobretudo, na área da defesa e qualificação ambiental para os próximos vinte anos, que faz todo o sentido, criar no nosso concelho uma Centralidade Industrial (porventura em Aver-o-Mar norte ou na Estela) com o objectivo de proporcionar novas oportunidades empresariais, de estimular o aparecimento de projectos inovadores e o estabelecimento de indústrias de ponta, nomeadamente as ligadas à produção de componentes para os sistemas de produção de energias renováveis.
O Parque de Ondas de Aguçadoura poderá ser a chave para a primeira oportunidade. Em simultâneo, os colectores solares dinâmicos, objectos que já são produzidos por uma empresa poveira com progressiva implantação no mercado nacional, num tempo em que a legislação portuguesa acabada de aprovar prevê a obrigatoriedade de instalação destes equipamentos nos novos edifícios.
A seguir, os painéis fotovoltaicos…

A vocação da Póvoa poderá passar por dar continuidade à conspiração solar do Padre Himalaia.
Este é um desafio inevitável e uma oportunidade que é imperdoável perder!

9 Comments:

Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Concordo inteiramente com a urgente necessidade de agarrarmos esta oportunidade, que tanto poderá beneficiar o nosso Concelho. Pelo que temos visto nos últimos anos, ao nosso Poder Local não deverá interessar muito o desenvolvimento dos projectos das energias alternativas. Isto é o que a experiência me diz. O ideal seria, para não se perder mais tempo, que um grupo organizado de pessoas apresentasse projectos viáveis, nesta área; tenho a certeza que não faltará quem saiba e queira trabalhar nisso.

13 maio, 2006 23:54  
Blogger CÁ FICO said...

Ora aí está uma coisa que demonstra que engenheiros e arquitectos ainda podem ser úteis à comunidade, sendo criativos e inventivos, e não subordinados aos tubarões do poder e da construção civil...

14 maio, 2006 10:43  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Cá quando se tenta algo de válido, alguém logo tenta emperrar. O projecto é excelente, inovador, apontado para o futuro. Oxalá consiga vingar.

14 maio, 2006 12:51  
Blogger Pacheco Ferreira said...

Caro Arquitecto
Eu já à muito que avisei...
Mas continuo a ver um desinteresse total por parte da autarquia.
E sabe porquê?
Porque o mar não se pode comprar e vender.
Logo não é negócio.

14 maio, 2006 22:33  
Blogger UNIVERSALEX said...

Pacheco Ferreira...O mar pode-se compar a e negociar sim... Olhe para o algarve e seus condominios de luxo...

de facto percebo o que quer dizer.. e concordo consigo...Se fosse um negócio par os nossos "tubarões" já o tinham comido...

claro que o Que Portugal precisa é de quem invista em inovações e em actividades cuja rentabilidade só se veja daque a alguns ou muitos anos..mas infeklismente nós só temos homens da massa que querem enriquecer meno antes de constituirem a "tal" empresa na hora...eh! eh!

15 maio, 2006 11:07  
Anonymous AdolFo Dias said...

Por falar em mar, porque não pôr os presos, militares e socialistas a limpar a areia da nossa praia?

15 maio, 2006 11:56  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Há algum estudo de impacto ambiental?

Em que serão beneficiados/prejudicados os Poveiros?

15 maio, 2006 14:08  
Blogger Clave said...

Infelizmente o aproveitamento das energias renováveis, anda ao sabor das marés do preço do petróleo, pois já há muitos anos que se fala da energia das ondas, mas como o petróleo era barato deixa andar.
A Póvoa podia ser autosuficiente em termos energéticos, pois tem sol, mar e vento- Será preciso dizer mais????????????????????
Tem faltado visão de quem manda!!!!!

15 maio, 2006 14:45  
Anonymous Anónimo said...

é colocar os agricultores aproduzir soja...Da soja retira-se diesel...Pode ficar bem mais barato do que subsidiar o gasóleo para a agricultura...

16 maio, 2006 01:36  

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