16 abril 2006

É PRECISO MAIS QUE O RITUAL

Aver-o-Mar. Uma rua aqui ao lado...onde vive gente.
Domingo de Páscoa.
De novo a esperança num tempo de silêncio reflexivo que precisa inventar-se como alavanca transformadora.
Sempre juntei a Páscoa a palavra Liberdade. E na mesma esperança acrescentei-lhes a cor do humanismo como condição da felicidade indispensável.
Todos nós temos o direito a ser humanos”, li algures. Mas, no epicentro da festa é impossível ignorar que, na outra margem da consciência, na linha oposta, também está escrita, com todas as letras, a palavra pobreza que impede a muitos a humanidade.
Para tantos que nos são próximos ou distantes, a Páscoa ainda não é ressurreição, apesar dos rituais.
À perplexidade junta-se o desejo de um tempo novo onde caibam na mesma ceia todos os povos do mundo. A revolução tem que começar tranquila, mas enérgica e firme, numa rua aqui ao lado, onde as coisas nos entram pelos olhos adentro apesar da teimosa cegueira da insensibilidade que nos aquieta.
Se começarmos naquela rua junto ao mar, a norte do primeiro mundo onde se esbanja por capricho o que é também dos que têm carência, desse modo acabaremos por chegar a toda a parte enquanto marinheiros da mesma nave azul.


2 Comments:

Blogger UNIVERSALEX said...

Ritual--procedimentos--formulários--bitolas---camilhos e veredas...
è preciso acabar com a construção civil nós moldes em que é feita...
há mais utilidade social numa barraca do que num bloco de apartamentos , seja de da des"dita habitação social" seja daquela para pura especulação... imobiliária...

A cultura cinzentista! "CIMENTO ARMADO" (betão..eh!eh!).. a causa das desgraças sociais...Pensem nisso!

17 abril, 2006 10:19  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Esta real e confrangedora imagem de casa-buraco onde se resguardam (não vivem) pessoas - e há tantas por aí - é a mostra da hipocrisia que nos governa, nesta era do desenvolvimento e da tremenda injustiça que nos envergonha.
Para além do vazio dos discursos continuados, e das frases próprias da época pascal(...aos poveiros e aos que sentem a Póvoa como sua...), será possível oferecerem ao menos umas palavras sinceras de humildade e arrependimento pelos males que causam, a quem tem a desdita de ser colocado nos patamares inferiores da sociedade poveira?

18 abril, 2006 00:05  

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