17 maio 2009

ARQUITECTURA DE ARQUITECTOS


Conta-nos Alexandra Prado Coelho, no Público, que, no passado dia 13 de Maio, depois de uma luta de mais de 35 anos, só os arquitectos passam a poder assinar projectos de Arquitectura!
Algo de ridículo se tem passado neste país ao longo de tanto tempo e é confrangedor que tivesse sido tanto tempo e uma directiva comunitária para que a Arquitectura pudesse ser feita apenas por quem tem formação académica específica e reconhecimento técnico da Ordem dos Arquitectos!
O anacrónico e já famoso Decreto 73/73 tem permitido o exercício da Arquitectura a profissionais sem a qualificação necessária para isso. Vai finalmente ser revogado através da proposta de Lei n.º 116/10, que foi aprovada na Comissão Parlamentar de Obras Públicas e será votada pela Assembleia da República.
Esta mudança, que põe as coisas definitivamente no seu lugar, resultou de um acordo "inédito e histórico" com a Ordem dos Engenheiros, e marca o início de um novo ciclo na vida dos arquitectos e da Arquitectura em Portugal.
A nova lei vai mais longe que consagrar a Arquitectura para os Arquitectos, e reconhece, por exemplo, o trabalho dos arquitectos nas áreas de Urbanismo, fiscalização e direcção de obra.
Espera-se que, com uma tal medida, possa melhorar a concepção formal e funcional do edificado, a imgem da cidade e a qualidade de vida dos cidadãos.

6 Comments:

Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Quando li a notícia no Público pensei que o assunto já estivesse resolvido pela acção desenvolvida por Helena Roseta, quando era Presidente da Ordem dos Arquitectos. Deve ter iniciado o processo, que agora se concluiu.
Concordo inteiramente com a decisão, que só peca por tardia.
Muita coisa há a fazer, e muita por corrigir. Assim queira quem goste de cumprir a lei.

18 maio, 2009 11:04  
Anonymous Anónimo said...

Meu amigo, não tenha ilusões, o problema dos projectos com má arquitectura vai-se manter, e vai-se manter porque ele reside não em quem assina mas sim em quem de facto elabora os referidos projectos e quanto a isso você sabe tão bem ou melhor que eu que essas aberrações arquitectonicas que constituem a nossa paisagem resultam de projectos elaborados por desenhadores, topografos e operadores de repografia que são funcionários nos serviços técnicos das Câmaras Municipais e que valendo-se desse facto conseguem angariar clientela e fazer aprovar com celeridade os projectos dessa clientela, claro que alguém lhes assinou esses projectos, mas tenha sido engenheiro ou passando agora a ser arquitecto, continuará a existir gente que a troco de dinheiro fácil assinará esses mesmo projectos a essa mesma gente, não duvide!

18 maio, 2009 12:35  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Assunto arqui-demorado... mas finalmente resolvido, comme il faut!

19 maio, 2009 09:03  
Anonymous Anónimo said...

è uma velha boa nova que só péca por ser tardia.
aproveito tambem o artigo para lhe dar os parabens pelo profissionalismo dos arquitéctos do seu gabinete.Embora nunca tenha trabalhado consigo, já trabalhei com um seu colaborador e o unico comentário é: EXCELENTE - PROFISSIONALISMO, DEDICAÇÃO E UMA VISÃO DAS NECESSIDADES PRÁTICAS ASSOCIADAS A UM CONCEITO ARQUITÉCTONICO COERENTE.
José Tinoco

21 maio, 2009 23:16  
Anonymous Anónimo said...

POR FALAR EM ARQUITECTURA DE ARQUITECTOS...
Falemos do edifício que contém a biblioteca da PV. Concerteza não foi um arquitecto que o concebeu, senão teria tido a preocupação de o projectar com janelas que permitissem a renovação natural do ar. O ambiente no seu interior é doentio, o ar é viciado e é quase insuportável lá estar. E não se aceita que seja só por ineficácia do ar condicionado (ar forçado!). Senão vejamos... aquando do incêndio no depósito, uma das grandes dificuldades foi o de escoamento dos fumos, dado que o edifício não possui ventilação natural! Moral da história, o edifício tem interesse arquitectónico, mas na prática está mal concebido! Isto pra não falar de outros aspectos, como o facto de cada vez que ocorre uma chuvada mais forte o depósito inunda...
Portanto, AQUELA ARQUITECTURA NÃO É DE ARQUITECTO!
Agradecia que tivesse coragem de publicar o meu comentário e até o comentasse (passe a redundância). Sou poveiro e frequentador assíduo do referido equipamento.
Cumps

Luís Ramos

06 agosto, 2009 07:00  
Anonymous Anónimo said...

A observação de Luís Ramos, embora um pouco dura, é pertinente. Pois, se por um lado o edifício é uma referência arquitectónica, as suas linhas, a forma como as diferentes salas se desenvolvem, etc., por outro a questão da renovação natural do ar, o facto da rampa de acesso ao edifício só estar (e mal) protegida de um lado, o que resulta num perigo para idosos, crianças e distraídos, para não referir outros aspectos, revela que os arquitectos dão maior ênfase à questão estética e muito menor à questão funcional. Os projectos devem pois, quanto a mim, ser resultado do trabalho de equipas multidisciplinares, com sensibilidades e conhecimento em áreas distintas, onde a entidade fiscalizadora não deve aprovar o projecto sem estarem reunidas todas as questões técnicas.
Este assunto é recorrente nos arquitectos, senão vejamos a marginal de Vila do Conde do reputado Arquitecto Siza Vieira. Tendo aspectos do maior interesse, como sejam a pista de ciclismo, o passeio, um murete baixo que permite a constante observação do mar, o retirar do estacionamento para o lado oposto ao mar, o retirar da circulação automóvel a partir da antiga Praia Azul até ao Castelo, são aspectos positivos. Já a falta de iluminação artificial, a não distinção pela cor e/ou materiais entre as diversas 'pistas', optando pela utilização excessiva do alcatrão, são reveladoras de um cinzentismo enorme que confunde os próprios utilizadores. Em jeito de conclusão, o poder nunca deve estar só de um lado, não devemos ser exclusivamente técnicos, nem exclusivamente estetas.
Cumprs

António Oliveira

13 agosto, 2009 09:00  

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