21 dezembro 2008

SAPATADA



Um jornalista iraquiano, Muntadar al-Zeidi, atirou dois sapatos a Bush. Diz Daniel Monteiro no Expresso: “Finalmente ficámos a conhecer as famosas armas de destruição maciça que os iraquianos tinham escondido”.
Sobre o mesmo tema, o editorial do prestigiado semanário, condenou a atitude do atirador furtivo, considerando que, do ponto de vista ético, era deplorável ter havido aproveitamento da condição de jornalista que se encontra em acção para manifestar uma posição política numa conferência de imprensa. Isso faria sentido, se alguém acreditasse que os jornalistas são virgens neutras e sem opinião e que não usam as suas posições políticas quando exercem a profissão, e que o fazem muitas vezes de forma muito mais perigosa, porque o disfarçadamente.
É por isso que prefiro a franqueza genuína de Yvonne Ridley, jornalista inglesa que, no mesmo jornal, aplaudiu a ousadia do seu colega iraquiano. O iraquiano, quando atirou os sapatos ao primeiro responsável por uma guerra iníqua, disse que o fazia pelas viúvas e órfãos que resultam dessa aventura que tem na sua génese a manutenção da influência norte-americana na região e o abocanhar do petróleo que por lá existe. Yvonne defende o colega de profissão dizendo que ele não devia ser castigado por se ter expressado daquela forma, pois muita gente pensa que Bush é um criminoso de guerra, e que, como iraquiano, ele tinha o direito de vazar as frustrações.
Claro que, a dúvida também nos ocorre. Enquanto jornalista deve-se ser imparcial e reportar os factos tal como são. Mas, é óbvio que, ali, a mágoa do cidadão, sobrepôs-se à profissão. Na circunstância, isso é compreensível. “Quaisquer que sejam os protocolos que quebrou, não matou ninguém e o seu acto isolado de desafio ao homem mais poderoso do mundo trouxe um pouco de alegria a uma região que tem sido privada de tanta coisa. Paremos com as denúncias bombásticas e dêmos ao homem uma medalha…e um par de sapatos novos”, concluiu Yvonne Ridley.
Entretanto, enquanto a sapatada contra Bush passa a jogo na Internet, quem também ganhou foi a Baydan Shoes Company, a empresa turca que fabricou os sapatos que o jornalista arremessou contra George W. Bush, e que terá recebido 300.000 novos pedidos do modelo.
O empresário Ramazan Baydan, que é o criador do modelo agora famoso, disse que os sapatos são produzidos há cinco anos e vendidos principalmente a países do Médio Oriente e à Rússia. No Iraque custam cerca de 27 dólares. Baydan conta que o modelo que desenhou há dez anos se mantinha na moda. “Agora que tornou-se um símbolo de democracia para o povo do Iraque e fico emocionado com isso”, declarou o empresário, que garantiu que a família Zaidi terá sapatos grátis por toda a vida, ao mesmo tempo que criou um slogan para alavancar as suas vendas. “Adeus Bush. Bem-vinda, democracia”.
Ok! Já sei! Agora virá alguém dizer que foi Bush que levou a democracia ao Iraque e que se não fosse Bush, os iraquianos continuariam debaixo da repressão do facínora Sddam Hussain, enforcado no penúltimo dia de 2006, num contexto político e jurídico muito pouco dignificante, que em nada engrandece a verdadeira democracia.

3 Comments:

Blogger rouxinol de Bernardim said...

Não percebeu nada da mensagem subliminar: o tal jornalista teve pena de Bush e resolveu presenteá-lo com um par de sapatos, pois constatou que Bush está de há muito moralmente descalço!...

Era de bom tom oferecer um par de sapatos novos ao seu amigo Macedo com a seguinte mensagem:

«Para que não continue a palmilhar este vale de lágrimas, moral e eticamente descalço, como o tem feito até aqui!»

O gesto é tudo!!!

24 dezembro, 2008 12:16  
Anonymous Anónimo said...

não percebo a 1ª fotografia. É o Vereador Diamantino que está lá? e quem está a fugir ou a atirar sapatos? Será que o vereador mandou atirar sapatos à oposição ou ao presidente...para ver se não se candidata

26 dezembro, 2008 22:38  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Para o tal de Macedo, seria recomendável sugerir-lhe que, antes, descalçassse o par de botas...

26 dezembro, 2008 23:25  

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