07 junho 2008

LAGARTIXAS E JACARÉS - Parte 2

Macedo Vieira entrega a J.J.Silva Garcia o Prémio de Jornalismo Baptista de Lima - Filantrópica 1995


Aqui se divulga o texto que a Directora do Póvoa Semanário não quis publicar!


ACTAS, ACTOS E FACTOS


J.J.Silva Garcia


1. O jornalista assistiu à Declaração Política de 17 de Março e sabe como o seu conteúdo é indispensável à compreensão da renúncia ao mandato de Vereador que fiz a seguir, e da qual, por isso mesmo, não pode ser amputada. O jornalista viu quanto esse conteúdo perturbou a maioria PSD. Não custará adivinhar que, foi justamente por isso, que o baniram do corpo principal da Acta da Reunião, numa “intolerável atitude de censura política”, como arguiu o Vereador João Sousa Lima.
2. O jornalista também me viu solicitar que as coisas fossem repostas no lugar. E ouviu a resposta de Aires Pereira, o presidente em provisório exercício, mas não lhe deu importância, nem se atreveu a comentá-la, ao contrário do que fez comigo.
3. Encerrada a sessão, concedeu ao presidente provisório a oportunidade para comentar a minha intervenção e este, como lhe convinha, confundiu a análise política que fiz à sua postura política, com uma alegada falta de educação da minha parte.
4. A seguir, o jornalista cruzou-se comigo na arcada da Câmara, mas não fez o elementar exercício do contraditório. Não me deu igual oportunidade para clarificar os motivos da minha iniciativa cidadã e deixar claro que, a haver má educação, ela foi protagonizada, não por mim, mas pelo provisório presidente Aires Pereira, que, pior, teve uma postura politicamente reprovável, pela resposta prepotente e arrogante que deu, pondo-se depois em fuga, enquanto encerrava abruptamente a reunião, impedindo-me de contra-argumentar e impedindo outros presentes de serem ouvidos, como a Lei determina…
5. A seguir o jornal, que ainda há pouco afirmava que “lagartixa nunca chega a jacaré” (querendo assim vedar a não jornalistas o direito de comentar os modos de fazer jornalismo), caiu na própria armadilha. Não sendo político e assumindo uma alegada isenção editorial, passou à tentação do comentário para criticar a minha intervenção como político e cidadão. E ao fazê-lo em relação a um dos intervenientes sem fazer o mesmo ao outro, acabou por fazer política, tomando posição por um dos lados…Tomar posições é legítimo, mas o facto faz lembrar a tal lagartixa com pretensões a jacaré…

É a substância da questão que me levou ao Salão Nobre da Câmara que, em nome da Liberdade, merece bandeira vermelha! Mas, isso não aconteceu!
6. Depois de meia centena de Reuniões e outras tantas Actas, em que no, seu corpo principal, se incluíram integralmente todas as declarações proferidas, da Maioria e da Oposição, é aceitável que, precisamente, a minha Declaração Política seja a única a ser discriminada e censurada, ao ponto de ser “escondida” nos Anexos? É política e legalmente aceitável que se integrem no corpo principal da acta quatro declarações não proferidas pela maioria durante a reunião, e se envie a minha declaração para os Anexos? É democrático fazê-la desaparecer da luz do dia apenas porque os aborrece? É eticamente correcto deturpar o que efectivamente se passou a 17 de Março e dificultar aos Poveiros o acesso ao pensamento da oposição? Interrogaram-se o jornalista e o jornal e interrogaram-nos sobre o sentido desta excepção aberrante?
7. A censurada Declaração de 17 de Março é indispensável à compreensão dos motivos que me levaram à renúncia ao mandato para que havia sido eleito democraticamente.
Deturpar os factos, quebrar, de forma oportunista, autocrática e arbitrária, uma prática com mais de dois anos, com o propósito de silenciar uma voz incómoda, confirmar que se fez isso sem qualquer critério objectivo a não ser o arrogado direito de construir uma verdade à medida dos seus interesses políticos, com o que consideram importante e como lhes dá na real gana… é este o modelo de comportamento “democrático” que se pretende para a nossa cidade? Ou, pelo contrário, estes factos revelam tiques de tirania, de desmedido deslumbramento pelo poder e de desprezo pelos outros, de um sentimento de superioridade doentia, próprios de uma mentalidade contra a Liberdade?
8. É verdade, disse-lhes que “não precisam de camisas castanhas nem de suásticas ao peito, porque elas estão-lhes na alma!” Expressando o direito à indignação – cada vez mais, “politicamente incorrecto” por estas bandas… - a afirmação, pelo simbolismo, não é mais do que uma apreciação política de comportamentos políticos. Pode-se concordar ou não com ela… O que não se pode é confundi-la com má educação! Fazer essa confusão beneficia quem merece a verdadeira crítica social pela forma prepotente com que (ab)usa do poder que lhe foi outorgado.
9. Não tenham medo das palavras. Receiem antes o que as motiva. Ignorar tais costumes políticos trará, mais cedo ou mais tarde, consequências negativas para todos. Até para os jornalistas que finalmente vierem a compreender a náusea provocada por um estado de coisas que me fez renunciar a um mandato iniciado com entusiasmo e vontade transformadora.
Só para lembrar. Há cerca de 14 anos, o Presidente Macedo Vieira, com visível agrado na fotografia, entregou-me o Prémio de Jornalismo Baptista de Lima, atribuído pela Filantrópica na sequência de um conjunto de artigos de opinião muito críticos em relação às opções urbanísticas e políticas do seu antecessor.
Apesar da opinião que expressei, Manuel Vaz não se zangou e mantemos hoje uma saudável e amistosa relação.
Quando passei a criticar a política casuística de Vieira, ele nunca mais parou de tentar amordaçar esse direito, fazendo tudo para que eu fosse visto como uma espécie de inimigo público…
10. Bertolt Brecht disse que “das águas do rio dizem que são violentas, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Disse-o a pensar em certos modos de fazer política, para evidenciar os lugares onde sorrateiramente cresce a mais perigosa violência.
É pena que, tantos anos depois, muitos não o consigam ou se recusem a vê-los!

1 Comments:

Blogger CÁ FICO said...

e lagostins...tudo bem regatinho ecom acepipes variados...

08 junho, 2008 22:03  

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