23 setembro 2006

UMA VERDADE INCONVENIENTE



Lisboa. Uma tarde de Domingo e Uma Verdade Inconveniente. O documentário sobre as alterações climáticas, protagonizado por Al Gore, antigo vice-presidente de Clinton e "ex-futuro presidente dos EUA", é um acontecimento que transmite uma incontornável sensação de urgência.
Pendendo para a palestra universitária, com a exibição de gráficos, números e percentagens, e evitando a especulação, talvez o documentário não encontre grande receptividade entre aqueles que vão ao cinema à procura de entretenimento superficial. Mas, o alheamento adormecido, em que esgotamos os dias da vida, tornam pertinente a metáfora, a páginas tantas utilizada, para nos enquadrar nos efeitos “invisíveis” do aquecimento global: se lançarmos uma rã para um vaso de água quente, imediatamente a rã dá um salto e foge. Mas, se colocarmos a rã num vaso de água fria e o levarmos ao lume, o bicho não se mexe, deixando-se estar tranquilamente conforme a temperatura vai subindo até atingir o ponto fatal.

Por vezes só despertamos para aquilo que nos mantém vivos quando essa coisa, ou pessoa, já não existe. O equilíbrio ecológico tem o mesmo poder. A erosão climatérica não é um fenómeno restrito a uma determinada região. Não vai apenas afectar quem não tem dinheiro. É algo que vai alterar para sempre, e para muito pior, a qualidade de vida de todas as pessoas e de todos os países. “Já estamos quase a passar para lá da fase em que é possível remediar a situação. Dentro em breve entraremos na fase das consequências”, avisa Al Gore.

Não é mais possível esconder a tragédia das alterações globais no clima da Terra, as maiores desde a Idade do Gelo - e a mais rápida das mudanças.
Demonstrando o claro consenso científico sobre o que ocasiona a actual mudança climática de consequências imprevisíveis, Al Gore conta-nos a nossa própria história, porque o planeta aquece por nossa causa. Somos todos nós os maus da fita e é insustentável continuar o nosso modo de vida, perdido num modelo de desenvolvimento predador. O dióxido de carbono e outros gases acumulados em grande parte pelo nosso consumo de combustíveis fósseis impedem as radiações solares de regressarem ao espaço. Em vez disso, ficam na atmosfera terrestre e aquecem terras e mares. O degelo dos pólos e dos glaciares de montanha, o aumento do nível dos mares, as secas, mas também as tempestades e os dilúvios locais podem bem ser parte de uma desregulação em curso.
A viagem de Al Gore começa na simples e objectiva constatação do aquecimento global: os oceanos gelados do Árctico e Antárctico desfazendo-se gradualmente, águas nascidas nos montes brancos dos Himalaias que deixarão de fluir, glaciares recuados até à inexistência, neves desaparecidas no cume do monte de Kilimanjaro, lagos que evaporaram e são agora parte do deserto circundante…
Depois, ao mostrar com uma seriedade implacável a subida vertiginosa das temperaturas em todo o globo, desenha o cenário criado por um clima artificialmente aquecido: oceanos mais quentes dando origem a secas prolongadas, cheias catastróficas na Europa, ondas de calor que dizimam milhares de pessoas, furacões mortíferos como o que aconteceu em Nova Orleães e, não tarda nada, a inundação de amplas zonas do planeta onde vivem multidões, como é o Sul da Florida, a Holanda, Xangai, a ilha de Manhattan e os deltas do Bangladesh.
Cidades costeiras, envolvidas pelo oceano como a Póvoa, a nossa casa comum à beira mar erguida.

Particularmente severo com o seu próprio país, os Estados Unidos da América que, juntamente com a Austrália, sãos os únicos países que não ratificaram o Tratado de Quioto, Al Gore anuncia, no entanto, que dezenas de cidades estão a romper a lógica egoísta do governo norte-americano e a criar a sua própria agenda de medidas de redução das emissões de CO2, demonstrando, no seio do Império, que é possível compatibilizar a defesa do Ambiente com o desenvolvimento económico.

Ao longo da sua vida política, Al Gore tem feito uma cruzada em defesa do Ambiente e da denúncia do problema do aquecimento global. Desde que “perdeu” a eleição para Presidente dos Estados Unidos, tem-se empenhado numa série de conferências por todo o mundo em que expõe exaustivamente as causas do fenómeno e os seus efeitos…
Com sarcasmo e na medida da sua própria irresponsabilidade, Bush apelida Al Gore de “Ozone Man”.
Mas, provavelmente, o mundo seria hoje bem diferente e para melhor se o presidente dos Estados Unidos não tivesse sido Bush, designado na sequência de um embuste eleitoral percebido por todos nós!

Neste lume brando da alienação, de que é que estamos à espera para mudar os nossos paradigmas?
O apelo à mudança e à necessidade de agir respeita a todos, aos cidadãos, às empresas, aos municípios e aos governos.

Aqui na Póvoa, para quando a nossa própria Agenda 21?

4 Comments:

Blogger napontadocais said...

Eu nem li o texto todo, só digo que aos tempos que falo na necessidade de uma ETAR cá na parvónia, outros até me copiaram na ideia mas, são só palavras, o simples facto da falta de uma ETAR é motivo para alterações nas plantas e animais maritimos, poluição não é só SALMONELAS para os humanos e perda de lucros para os barraqueiros, andarem todos a cagar para a praia destroi uma vida dos mares como se pode ver na Afurada no museu do mar, gastar milhões a proteger um investimento por 40 anos de um sócio de uma empresa de construção é crime, os desvios da ribeira do hospital(antiga ribeira do cemitério), da ribeira das lavadeiras e do rio do cheiro, vai encarecer a obra, falo num pé direito diferente do aprovado no projecto, tudo ao que sei já calculado e do conhecimento da camara( mais uns milhões), não falo mais desta verdade por entender que quem faz oposição deve fazer ISTO e AQUILO.E não divagar embalado pelas ondas das salmonelas.Crescei.
Falei tá dito.

23 setembro, 2006 20:10  
Anonymous Anónimo said...

"Maré Negra - A semana que passou foi dedicada à mobilidade. As iniciativas para chamar a atenção da população para o problema multiplicaram-se por todo o lado. A Póvoa de Varzim ainda não é uma cidade problemática nessa matéria, mas já seria bem vinda uma rede de transportes públicos urbanos. Acreditamos que não seja muito rentável, mas que melhorava a qualidade de vida a grande parte da população poveira não temos dúvidas. Estamos a pensar nas gentes mais idosas de Nova Sintra, Penalves, São Brás e Mariadeira que estão longe do Posto Médico, Hospital, Conservatórias e outras repartições que todo o cidadão é obrigado a frequentar. "

Copiei isto do Voz da Povoa só para vos mostrar que para estes senhores "jornalisteiros" as aldeias, ou as demais freguesia poveiras não existem...

...

24 setembro, 2006 06:57  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

O tratamento de esgotos faz parte de um sistema mais ou menos complexo, consoante as situações, e pode-se começar pelos elementos mais simples (também com custos mais baixos), até se atingir o sistema optimizado que garanta o máximo de eficácia e o aproveitamento dos maiores benefícios (ex: água para rega).Esta questão é uma das maiores prioridades, que deveria ter sido iniciada há décadas, e que só não o foi porque os mandantes seguem a lei do «posso, quero e mando» e sabem que ninguém lhes faz frente nem lhes bate o pé, o que não impede que sejam chamados a prestar contas.
(N.B.-Só hoje pude comentar o texto anterior, mas tinha que o fazer porque não posso ficar calado).

25 setembro, 2006 21:20  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Na Póvoa poderemos ter a nossa própria Agenda 21 (já temos as bases)quando os poveiros tiverem a liberdade de se reunirem e discutirem os problemas que lhe estão associados, ou quando a actual maioria PSD abandonar a Câmara (pela porta baixa).

25 setembro, 2006 21:32  

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