06 junho 2009

HIPOCRISIA


Salgueiro Maia é um herói do vinte e cinco de Abril.
Há vinte anos atrás o Primeiro-Ministro recusou-se a conceder-lhe uma pensão “por serviços excepcionais relevantes”.
A atribuição dessa pensão – crucial no momento de doença que vivia e que o havia derrotar logo a seguir – dependia de um parecer favorável do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República. Com data de 22 de Junho de 1989, o parecer, votado por unanimidade, sublinhava “o êxito da Revolução muito ficou a dever ao comportamento valoroso e denodado daquele que foi apodado de Grande Operacional do 25 de Abril”.
Enviado ao Primeiro-Ministro, o parecer nunca foi homologado!

Na mesma altura, o mesmo Primeiro-Ministro concedeu a mesma pensão a dois inspectores da extinta PIDE/DGS: António Augusto Bernardo, que foi o último chefe da delegação da DGS em Cabo Verde e Óscar Cardoso que foi um dos pides que se entrincheiraram na sede da rua António Maria Cardos e que fizeram fogo sobre uma pequena multidão, tendo causado os únicos quatro mortos da revolução.
Obscena dualidade de critérios desse Primeiro-Ministro!

Agora, o Presidente da República vai finalmente homenagear Salgueiro Maia. Em Santarém, no âmbito das comemorações do 10 de Junho, irá depositar uma coroa de flores junto à estátua do herói de Abril.

O Primeiro-Ministro em 1989 era Cavaco Silva! O Presidente da República em 2009 é Cavaco Silva!

A República que vai assistindo indiferente a estes despautérios que magoam a dignidade de Portugal. Mas, meus caros, os políticos não são todos iguais!
Dois meses depois dos dois pides serem agraciados pelo Governo de Cavaco Silva, o Presidente Mário Soares escolheu o Dia das Forças Armadas para condecorar, já a título póstumo, Salgueiro Maia, com a Ordem Militar de Torre e Espada: a única condecoração portuguesa que dava direito a uma pensão…

Enquanto que, na sua génese, a Democracia propõe espaço para cavaquear, há certa gente que se entretém a escavacar a dignidade da República!

8 Comments:

Anonymous Renato said...

A república não nasceu com salgueiro maia, nem sequer a democracia... a liberdade muito menos...
O 25 de Abril conjugado com o 25 de novembro e o fim do prec e do conselho da revolução permitiu um abertura ideológica que veio dar lugar á democratização deste pais e á liberdade...só o não foi tutalmente conseguida porque nunca se acabou com os Governos Civis ( que ainda são do tempo da constituição de 1933)e não se criou em sua substituição as regioes administrativas, tendo o poder local-autárquico, se esclerosado por contágio...

06 junho, 2009 23:51  
Anonymous Anónimo said...

poe o site meeter pa, esse numero de visitas nao esta correcto!

07 junho, 2009 13:12  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

O cidadão Aníbal Cavaco Silva nunca me enganou (ou melhor: enganou-me, sendo eu militar e ele primeiro-ministro).
No que se refere ao presente texto, pode agora argumentar que naquela altura era 1º Ministro e agiu de uma forma, e agora é PR, o Presidente de todos os portugueses...
Da hipocrisia não se livra!
A atitude infame que tomou em 89 não tem perdão! Eu, pelo menos, não lhe perdoo.

07 junho, 2009 16:23  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Cavaco por vezes dormita na forma... que se ponha apau!

08 junho, 2009 06:57  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Veja o meu penultimo post («Apelo ao voto») na parte final fala de si...

Cmpts

08 junho, 2009 08:18  
Anonymous Anónimo said...

Quem não sabe agradecer nem reconhecer não merece ser benificiário da ordem gerada pelo 25 de Abril.

Infelizmente, a entrega do poder aos cívis e o regresso dos militares aos quarteis deu na miserável ordem politica, partocrática e corrupta que hoje temos, os militares, eram , são e sempre hão-de ser muito mais crediveis e confiáveis que este bando de sanguessugas que consómem impostos e mais impostos ao povo em nome duma liberdade que só os benificia e eles: VIVA SALGUEIRO MAIA!

08 junho, 2009 08:59  
Anonymous Anónimo said...

Salgueiro Maia é um símbolo de Abril bem maior do que Otelo. Sem se por em bicos de pés, sem se colocar sob os holofotes da comunicação social não quis ser pavão. Foi apenas a formiga laboriosa e responsável que abdicou de ser cigarra. Ele sim, merece a nossa reverência, o nosso aplauso. Cavaco, que não promulgou
um acto de justiça, procura agora redimir-se... é como aqueles árbitros habilidosos que ao deixarem passar em claro uma grande penalidade justíssima procuram compensar marcando outra... quando seria apenas livre fora da área... mau árbitro este. rua com ele.

09 junho, 2009 11:12  
Blogger CÁ FICO said...

claro! anónimo amigo!!1 todas as ditaduras tem um suporte militar sejam de direita sejam de esquerda.. só as democracias são feitas por civis...e por eles mantidas...

O inverso não existe!!!

10 junho, 2009 19:13  

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