24 janeiro 2007

OS SEGREDOS NÃO SÃO ETERNOS



O Parlamento Europeu quer saber o que se passa e em Portugal varre-se para debaixo do tapete!

Ana Gomes não desiste e tem pedido que se esclareça o "conteúdo" dos voos da CIA em território português.

José Lello, embuído da mais tranquila consciência e com uma incontrolada delicadeza, disse que "no PS já não temos paciência para aturar essa senhora".

Lelo é um adjectivo designativo de "rapaz leviano, presunçoso, vaidoso". Mas não é, como José pretende, o apelido de Ana.

Vicente Jorge Silva pergunta: «Se quem não deve não teme, o Governo, o PS e os partidos da direita parecem ter muitas razões para dever e, por isso, para temer. Mas temer o quê? Que se confirme o servilismo político dos Governos anteriores em relação à Administração Bush? E que se conclua que o Governo socialista se deixou aprisionar no enredo tecido por Durão Barroso na cimeira das Lajes? Se Ana Gomes e a comissão de inquérito do Parlamento Europeu fossem apenas lunáticos perigosos e irresponsáveis, nada deveria impedir as autoridades de demonstrá-lo. Ora, ao não o fazerem, limitam-se a avolumar as suspeitas de encobrimento de um escândalo que pode provocar danos irreparáveis na imagem de credibilidade e dignidade do Estado português
(in Diário de Notícias)

No JN de hoje lê-se que "O Procurador Geral da República pediu ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) que investigasse o caso dos voos da CIA que alegadamente terão passado por território nacional, transportando para a base norte-americana de Guantánamo prisioneiros da guerra contra o terrorismo. Pinto Monteiro tomou a decisão no final da última semana, depois de, na quinta-feira, ter recebido em audiência um jornalista da "Visão", que tinha a informação de que algumas testemunhas desses alegados actos estariam em perigo."

O Procurador Geral da República acaba por atribuir relevância aos dados a que teve acesso. A entrega do caso ao DCIAP, encarregado de coordenar a direcção da investigação de crimes contra a paz e a humanidade e contra a segurança do Estado, mostra essa relevância.

Na próxima sexta-feira, Pinto Monteiro vai receber Ana Gomes!

Fica por fazer uma investigação ao José Lello, para tentar perceber a sua hostilidade contra a vontade de trazer luz a um caso tão grave!

Afinal, já não tenho é paciência para a agressividade de José, o Lello, sempre que alguém no PS vai contra a corrente!

Uma coisa é certa, o que quer que se tenha passado, há-se saber-se um dia!

Os segredos não são eternos!

11 Comments:

Blogger rouxinol de Bernardim said...

O cerne desta questão pode resumir-se no seguinte:

Será sensato lutar contra o terrorismo (que usa métodos selvagens e completamente abomináveis) com as armas da legalidade, tout court?

Os serviços secretos dos diversos países têm usado ao longo de décadas, métodos "expeditos" (e até têm sido elogiados por isso..) para resolverem situações bizarras e heterodoxas.
Todos gostamos de ver James Bond e seus clones e quase nunca nos interrogámos sobre as balizas legais deste comportamento "sui generis".

Será legítima esta "guerra preventiva", este "excesso de zelo" para evitar males maiores?

A Convenção de Genebra estará ultrapassada face ao fenómeno do terrorismo?

Se os "outros" acham que "os fins justificam os meios", dever-se-ão adoptar outras posturas menos legalistas e mais heterodoxas para pôr cobro ao fanatismo suicida e a outros "modus operandi" nada consentâneos com os padrões ditos "normais"?

Quem vai controlar isso? Se não pusermos cobro a esta situação ilegal poderemos ser "levados pela corrente", poderemos ser vítimas do próprio "sistema" que, com o nosso silêncio cúmplice estamos a gerar...

Bush está a criar uma corrente perigosa e na "onda" estão a embarcar os europeus. Ana Gomes está a fazer o seu "papel". É claro que vai ser "queimada" pelo "Sistema", contudo ela é capaz de ter razão (uso a prudência pois só sei que nada sei...). Já vimos casos destes no passado. Talvez ela venha a ser uma "heroina" quando se fizer a "autópsia" do cadáver chamado BUSHISMO!

24 janeiro, 2007 19:30  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Ana Gomes está ao lado do direito internacional. Ela veste a capa legal. Outros usam a roupagem do "pragmatismo".

As Convenções de Genebra estarão ultrapassadas face ao terrorismo actual?

Quem supervisiona este modelo ("estilo guerra preventiva"...) incrementado por Bush e seus acólitos?

Isto dava para escrever muitos livros...

Imaginem os leitores deste blogue estarem numa guerra e dizerem que o Napalm era contrário às Convenções de Genebra... eram logo apodados de "espiões" ou "loucos"...

Ana Gomes assume a "loucura" de quem se habituou a zelar pelas balizas legais que norteiam uma consciência bem formada. Ela tem moral para falar. E Timor que o diga...

24 janeiro, 2007 19:37  
Blogger UNIVERSALEX said...

não sei de que lado estão os Hipócritas? sei sim! Do lado dos governos de Portugal visados é que não!

24 janeiro, 2007 21:51  
Anonymous Anónimo said...

Boa arquitecto Garcia. Irrepreensível.
Corrija apenas o "embuído" pois, como você sabe bem é "imbuído"

24 janeiro, 2007 23:54  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

"há-se saber-se um dia!"

Pois há-de. E sabe por quem? Pelos próprios Americanos...

Não acreditam? Registem.

Goste-se ou não a democracia Americana é muito mais madura, transparente e efectiva que a nossa e de que muitas outras Europeias.

24 janeiro, 2007 23:58  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

O problema é que há gente que não sabe ou não quer distinguir o Bem do Mal(mas prefere o Mal!), nem o que é Grave ou Irrelevante (mas bate-se pelo que é acessório!). Com que interesses?
Em toda esta história, em nome de quê e de quem está Portugal a deixar de mostrar Dignidade? Que moralidade terá o nosso país para, daqui em diante, defender e bater-se pelos Valores Universais?
O terrorismo é uma ameaça, às vezes imperceptível, que cresce a nível mundial; é preciso combatê-lo, de forma concertada com as nações interessadas; mas o nosso procedimento, sobre o caso em questão, só serve para dar apoio a países "justiceiros" e não para ajudar a combater o terrorismo.
Mas ainda bem que Ana Gomes é uma indómita lutadora pelas boas causas, e para quem os tais "lelos josés" não se atrevem sequer a erguer os olhos.

25 janeiro, 2007 18:46  
Blogger Marx said...

A curiosidade maior está mais em saber o que Ana Gomes irá beber quando obtiver a lista completa do que os serviços secretos americanos andaram a transportar, durante anos, pela Base das Lajes. Certamente que incluirá "terroristas", de e para Guantanamo. Tal como espiões, armas, alcool, drogas, bíblias, coristas...

O «Expresso» já havia relatado testemunhos sobre a existência de prisioneiros em trânsito, há cerca de dois meses atrás. Afinal, esta é uma consequência da existência do acordo de cedência da Base das Lajes, desde a II Grande Guerra. O que se terá passado ali não será diferente do que se passa, certamente, nas outras bases americanas espalhadas pelo mundo. Por mais que a frenética Ana Gomes insista em pretender desmascarar o seu, como de muitos outros, Grande Satã.

That's politics, stupid!

25 janeiro, 2007 20:08  
Blogger Osorio Rio said...

Pois não caro Arqº Garcia,eternos são os diamantes!Aguardemos,não por eles pelos diamantes,sim pela verdade!

O tempo o dirá,esperemos que
o tempo nos traga outro tempo,que este tempo pelo que se vê não é tempo deste tempo,antes tempo de outros tempos!
Osório Rio.

26 janeiro, 2007 01:50  
Anonymous Anónimo said...

Deixem-se de encanar a perna à rã. Afinal, quem manda(realisticamente) na base das Lajes? Claro, são os americanos. E mandando eles, qual a capacidade real do governo português intervir? Nenhuma! Os americanos fazem o favor de condescender em fornecer ao governo português, as informações mínimas e que não os comprometam. Comprometem Portugal? A eles que lhes importa? Terá o governo português capacidade efectiva de fiscalizar o que por lá se passa? Não têm! Ou terão só aquela que lhes fôr permitida...
Por conseguinte, e não querendo ser fatalista, aguentem, que é para o que está.
Ou então expulsem definitivamente quem lá mora. Só assim poderemos efectivamente ser responsabilizados pelos actos lá praticados.
O mais cínico da questão, é que há uns anos atrás, os americanos pagavam uma pesada renda pelo aluguer do "porta-aviões". E Portugal, tirava algum benefício económico da situação. Agora, nem isso, deixaram de pagar, deixaram de ter o estatuto de inquilinos - se bem que sempre tiveram o de proprietários-, mas continuam presentes (com que estatuto?)
E lá continuaremos a chorar lágrimas de crododilo,como protesto, sempre que lá aconteça algo que nos comprometa ou que nos desgoste.
Compreendo a deputada Ana Gomes, e a sua quixotesca luta contra "o status quo". Mas é inglório o esforço e o cansaço que seguramente ela sofre.E até o seu próprio partido a vai marginalizar, por comportamento demasiado rebelde.
Mal comparado(ou talvez até não), apetece chamar à liça, os famosos "off-shores". Todos(é como quem diz) condenam os movimentos financeiros que lavam dinheiros sujos, da droga, da prostituição, da corrupção,da fuga aos impostos, etc. Mas se eles foram criados exactamente para isso, como querem acabar com as lavagens de dinheiro e as fugas aos impostos?
Com as bases entregues aos americanos acontece o mesmo. Querem evitar os abusos contra os direitos humnaos por eles praticados(e nem condenados podem ser porque eles não reconhecem o Tribunal Internacional)? Tirem-lhes as bases que eles controlam pelo mundo fora e tudo acabará. E agora até é compreensível, dado que quem está a desequilibrar o mundo, são exactamente os americanos. A fase da guerra fria, já passou.Agora, e cada vez mais, está escaldante(e não se trata só do aquecimento do planeta)...

26 janeiro, 2007 17:55  
Anonymous cristina torres said...

Quando o nosso superior hiérarquico nos questiona sobre algo relacionado com a nossa actividade laboral, cumpre-nos responder (todos têm o direito ao contraditório, consagrado na Constituição e no Código Processo Penal).

Se o Parlamento Europeu nos pede que o esclareçamos relativamente ao "conteúdo dos voos da CIA em território português", cumpre-nos responder. NÃO!
Para já, temo-nos esquivado (ou pelo menos tentado), encapotamo-nos numa gaguez surda, empeçamos dossiers, boiamos em discursos, arremessamos recados uns aos outros, injuriando-nos. Porquê?

Há, ou não há registos de voos da CIA que passaram em território português?
Existem ou não testemunhas que os confirmam?
A ser verdade, este é um tema transversal a vários governos, tendo como Primeiros-ministros os Senhores: Durão Barroso, Santana Lopes e José Socrates.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Luís Amado, esclareceu esta semana, numa conferência de imprensa, em Lisboa, que as investigações do governo português relacionadas com os alegados voos ilegais da CIA estão rematadas porque não foi encontrado nenhum indício que justifique o prolongamento do inquérito. Palavras do MNE " Colaboramos intensamente com a comissão temporária, de boa-fé, respondendo a todas as questões que foram colocadas, em todo este trabalho, nenhum indício foi encontrado de que tenha sido conhecido ou autorizado por este, ou por anteriores governos, qualquer voo ilegal. Não temos mais nenhum trabalho a fazer neste domínio".

Ana Gomes garante estar na posse de documentos que atestam que prisioneiros passaram pelos espaço aéreo português. Reuniu listas de dezenas de voos, mas sem a ajuda do governo português.

Ana Gomes será hoje recebida pelo Procurador-geral da Republica, Pinto Monteiro,numa sessão solicitada por si, quando deveria ser o governo a tomar a iniciativa. Ou talvez não? Não, porque o governo não pretende avançar com um inquérito aos voos da CIA.

Como cidadã portuguesa demonstro profunda afeição pela atitude de Ana Gomes perante tão profundo empenhamento, zelo, compromisso e cuidado que tem vindo a demonstrar apesar ter sido arremessada para uma "fétida" e enigmática solidão!

Deste estranho governar, por exemplo, não saírá o país fragilizado em vésperas da presidência portuguesa da União Europeia?

26 janeiro, 2007 18:23  
Blogger Palavra Actual said...

Pergunto-me o que será mais grave: se o facto de passarem aviões da CIA pelo território português, transportando terroristas, e com o conhecimento do nosso governo; ou o facto de tais aviões passarem pelo nosso território aéreo sem o conhecimento do governo. Se realmente passaram aviões no nosso país transportando prisioneiros levados para Guantánamo, o nosso governo compactuou com gravíssimas violações dos direitos humanos. Mas se o nosso governo desconhecia a passagem de tais voos, também foram violadas várias leis internacionais, entre elas a Convenção de Montevideu e a Resolução 2625 das NU. Ambas as situações são delitos graves da qual incorre responsabilidade internacional.
Os Estados têm o dever de se auxiliar mutuamente, mas nunca violando ius cogens, nunca violando direitos fundamentais consagrados na DUDH e na CEDH.
Quanto a lutar o terrorismo, esta luta só tem sucesso por via diplomática. Até porque o terrorismo não se pode definir, internacionalmente não existe responsabilidade em relação a grupos terroristas. É uma questão de simbolismo até porque os alvos dos terroristas são alvos simbólicos. Assim, também não temos um ofendido legalmente capaz de requerer a responsabilidade internacional. As guerras contra o terrorismo não levam a lado nenhum. Não nos podemos esquecer que estamos num mundo onde a tecnologia prevalece e por muito que ela evolua os "caçadores de terroristas" vão estar sempre muito atrás dos terroristas.

29 janeiro, 2007 12:38  

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