01 janeiro 2007

GLOBALIZAÇÃO DE ROSTO HUMANO

"The economy should work for people, and not the other way around."
- Economic Justice for All


Cem por cento arábica, da Colômbia, “este café foi cultivado por mestres cafezeiros de cooperativas que trabalham segundo os critérios de Comércio Justo e respeitando o Meio Ambiente”, lê-se na embalagem assinada pela IDEAS – Inciativas de Economia Alternativa Y Solidária, com sede em Córdova.


Tomei o primeiro cimbalino de 2007 enquanto lia o caderno de Economia do Expresso.
Na décima sexta página, a leitura ainda sabia mais a café! Uma infografia sintetizava uma das conclusões de um relatório da Catholic Relief Services, comparando as cadeias de comercialização do café no comércio tradicional e no Comércio Justo. Na primeira, inspirada pelo modelo da economia neo-liberal, os produtores em pequena escala e os trabalhadores das plantações recebem menos de 2% do preço de venda ao público do café que cultivam. Na cadeia do comércio justo, os custos permanecem os mesmos, mas a sua distribuição é diferente e mais equitativa. O jornalista Alexandre Coutinho explica que os produtores recebem um significativo aumento na remuneração do seu trabalho: 15 a 30% do preço de venda ao público, dependendo dos produtos. O restante reverte a favor das cooperativas e das lojas de comércio justo, para pagar custos de transporte, de aluguer de instalações, salários de funcionários e a promoção dos produtos. Ao contrário de muitos importadores comerciais, que pagam aos fornecedores a 60 ou 90 dias, as organizações de Comércio Justo asseguram pagamentos adiantados aos produtores, por forma a cobrir desde logo os custos com matérias primas e os custos básicos de produção.

Este novo sistema, alternativo às tradicionais regras capitalistas, comprova que é possível criar riqueza com maior justiça económica e social. E que é possível fazê-lo de forma sustentável e numa perspectiva ecológica. Que a utopia é, afinal, onde se chegará mais cedo ou mais tarde, quando se trata de cumprir a Natureza de que o Homem é parte.
No fundo, o Comércio Justo estabelece uma parceria inteligente entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentável. Neste sentido, o Comércio Justo não se rege apenas por critérios economicistas, mas tem em conta valores éticos, sociais e ecológicos. A sua missão é promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica dos produtores mais desfavorecidos. Com esta parceria ficam garantidas as despesas básicas de alimentação, habitação condigna, educação e cuidados de saúde. Nela cabem a oferta de pré-financiamentos, de adiantamentos e de acesso ao microcrédito. Garantem-se condições de igualdade no emprego para homens e mulheres, recusando a exploração do trabalho infantil ou escravo. Apoiam-se os agricultores na melhoria dos seus métodos de produção, produtos, embalagens e no impacte ambiental, favorecendo a agricultura biológica.

Neste mundo que segue a sua trajectória numa rua diferente da estrada capitalista, a preocupação e o respeito pelas pessoas e pelo ambiente é colocado acima do lucro. Há abertura e transparência quanto à estrutura das organizações e todos os aspectos da sua actividade, e há informação partilhada entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os seus produtos e métodos de comercialização. Há participação e envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam. Há protecção dos direitos humanos, nomeadamente das mulheres, das crianças e dos povos indígenas. Há oportunidade para uma economia sustentável, um meio para combater a pobreza e até um modo de evitar que os pequenos agricultores da América Latina se dediquem à produção de droga como único recurso de sobrevivência.

Em 2006, o Comércio Justo cresceu 37% no mundo. Em Portugal existem já 12 lojas.
Assim se constrói a globalização com rosto humano, como gosta de desejar Mário Soares, e que confirma o erro de Fukyama: afinal, a História continua e o Capitalismo selvagem não triunfou.

Sorvido o primeiro cimbalino do ano, revisitar o movimento do Comércio Justo deixa uma energia renovada para continuar com paixão o Tempo, nesta corrida que começa a contar-se pela bimilesimasétima vez depois do Nascimento do Verbo.

5 Comments:

Blogger CÁ FICO said...

Luis Inácio tomou posse ontemà frente dos destinos do Brasil...Pelo espaço da lusofonia democrática começa a cumprir-se Portugal...esperemos que em Angola, aquele que foi outrora o 3º produtor mundial de café ( não o arábica mas o robusta)hajam eleições verdadeiramente livres, e que ganhe não o sistema autocrático ou mono partidário instalado e fruto da Vergonhosa descolonização, mas sim um outro menos despoluido e liberto das peias que a ex- urss eo regime sovietico-cubano e os ses fieis servidores sociais fascistas instalaram por diversos cantos do mundo, impedindo ajusta globalização que não começou hoje, nem com O ilustre Boaventura Sousa Santos, nem os Foruns Socias Mundiais de Porto Alegre ou outros locais, nem Orçamentos Participativos-avant-la-lettre, ou Movimentos Bolivarianos Chaves/Fidel emuito menos FArcs, ou Senderos..os "libertadores" acabam todos em "ditadores"... e em fascismos encapotados!

02 janeiro, 2007 07:20  
Blogger UNIVERSALEX said...

Luis Inácio tomou posse ontemà frente dos destinos do Brasil...Pelo espaço da lusofonia democrática começa a cumprir-se Portugal...esperemos que em Angola, aquele que foi outrora o 3º produtor mundial de café ( não o arábica mas o robusta)hajam eleições verdadeiramente livres, e que ganhe não o sistema autocrático ou mono partidário instalado e fruto da Vergonhosa descolonização, mas sim um outro menos despoluido e liberto das peias que a ex- urss eo regime sovietico-cubano e os ses fieis servidores sociais fascistas instalaram por diversos cantos do mundo, impedindo ajusta globalização que não começou hoje, nem com O ilustre Boaventura Sousa Santos, nem os Foruns Socias Mundiais de Porto Alegre ou outros locais, nem Orçamentos Participativos-avant-la-lettre, ou Movimentos Bolivarianos Chaves/Fidel emuito menos FArcs, ou Senderos..os "libertadores" acabam todos em "ditadores"... e em fascismos encapotados..

A verdadeira globalização começou com as grandes migrações, quandos os povos nómadas do norte edo leste começaram adeslocar-se para ocidente e sul...Aì pea conquista deoutros povos e assimilação e sunjugação de uns eoutros seforam globalizando na medida do possivel,assim aconteceu a africa, a europa,a asia ea américa...depois a Romanização do mediterráneo emais tarde a maometização.. e depois o periodo das "Descobertas"-, a Industrialização...etc.etcetc.. a Globalização é a História da Humanidade... nada menos do que isso...

03 janeiro, 2007 00:21  
Blogger topas said...

Aqui andamos nós naluta diaria ...sim luta diaria!!!


um abraço

http://www.maistopas.blogspot.com/

03 janeiro, 2007 21:35  
Anonymous Anónimo said...

Garcia candidato ao Varzim! é a notícia de última hora!!!! O Garcia quer ser candidado ao Varzim. Quem souber detelhes que diga.

04 janeiro, 2007 12:32  
Anonymous Anónimo said...

a sério!??? O garcia como presidente do varzim!??? lol

10 janeiro, 2007 12:35  

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