10 junho 2006

SERENIDADE E BOM SENSO

Foto de Alba Luna
Hoje é simultaneamente sábado e feriado nacional.
Ao meu lado, uma professora cruza a pesquisa na Internet com os parcos recursos disponíveis, dando continuidade ao projecto que lhe tem ocupado muitas horas do seu tempo e do seu espaço privado: o sonho de modernizar a Biblioteca da Escola.
Ser Professor é, assim, uma entrega que não esmorece ou se interrompe periodicamente com o picar de um cartão à saída do posto de trabalho. Como acompanho o quotidiano de quem o faz com responsabilidade, empenhamento e imaginação, sei que a profissão de Professor é a aquela em que provavelmente a maioria dos seus actores trabalha aos sábados, domingos e feriados, sem fechar a porta a madrugadas, esticando a entrega de si para além da sala de aula.
Também sei que é uma profissão que não admite falta de vontade e de motivação. É preciso estar lá – muitas vezes sabe Deus como – e ter a energia criativa para envolver mais de cem crianças por dia na aventura de descobrir e de aprender. Mas, é a única profissão em que se tem falta por chegar 5 minutos atrasado, e em que uma falta dada é potencialmente comentada por outra centena de famílias numa espiral amplificadora a que nenhum outro de nós está sujeito. Alguém reparou que ontem o José António faltou ao serviço, lá na repartição de finanças, ou que a Madalena não foi trabalhar para fábrica?
É uma profissão exigente! Bons e maus executantes, existem em todas as actividades, é comum dizer-se!
É uma profissão especial, onde a componente dos afectos tem também uma importância decisiva.
Por isso, não compreendo que, nos últimos tempos, tenha deixado de ser acarinhada e considerada, humana e socialmente.
Por isso, é intolerável que todos os dias os Professores sejam agredidos na sua dignidade – quando o não são só fisicamente… - enxovalhados na praça pública, atacados e desvalorizados na sua pessoa e no seu trabalho.
Uma onda abjecta de comentários sem qualquer sentido – ideologicamente contra a escola pública – têm maltratado os Professores portugueses atribuindo-lhes formatos e culpas que, seguramente, a imensa maioria deles não têm. Mas, o que mais me causa perplexidade é que, pior que alguns comentadores ignorantes e apressados, sejam os políticos e os governantes a vilipendiar de modo demasiado fácil e irresponsável, sem terem consciência das consequências de tais actos fragilizantes.
Como ouvi alguém, ao espezinhar sistematicamente os seus “empregados” perante o “cliente”, o “patrão” mais não faz do que “inviabilizar a venda do produto”.
Como se isso não bastasse, abre-se agora a porta a processos estranhos de avaliação, e corre-se o risco de vermos os professores avaliados, não pelo seu próprio desempenho, mas pelos sucessos e insucessos, os apetites e os caprichos dos alunos e respectivas famílias, mais a conjuntura política, económica e social do nosso país.
A reforma do sistema de ensino que Portugal tanto precisa para que se transforme no país desenvolvido a que todos aspiramos, não se faz desprestigiando os professores, mas envolvendo-os num inteligente e criativo movimento construtivo.

15 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Sr Arq. desta vez, como professor estou 200% de acordo e agradeço.

11 junho, 2006 11:06  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

O professorado é um sacerdócio. Sabê-lo-á a Sra Ministra?

Pelos seus frequentes dislates, pela sua permanente acrimónia à classe, creio bem que não. Não sou professor, mas no actual contexto, tenho que ser solidário com a "corporação"...

11 junho, 2006 11:33  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Os alunos têm que respeitar e considerar o Professor. Os pais têm que colaborar com a Escola, estabelecendo a ligação entre o professor e o aluno, e fazer em casa aquilo que é de sua responsabilidade: educar os filhos. Não é admissível haver na escola qualquer forma de falta de educação e muito menos de qualquer espécie de violência. O professor não pode ser vítima das consequências duma sociedade em constante degradação e do alijamento de responsabilidades de outrem. As sucessivas reformas no ensino, em lugar de melhorarem o caminho que deveria há muito ter sido traçado, fazem-no regredir, e injustamente culpabiliza-se o professor pelos maus resultados obtidos. A batalha da Educação é gigantesca, e não se conseguirá vencer o atraso que temos se os responsáveis não tomarem medidas urgentes e adequadas ao bom ambiente da Escola e não prestigiarem e dignificarem o Professor.
As Autarquias têm agora um papel mais relevante no campo educativo; cabe-lhes exigirem dos governos as orientações e os meios necessários ao correcto cumprimento dos programas, e saberem exigir da Escola o melhor nível de ensino. O esforço cabe a todos nós, isto é, a toda a comunidade em que a Escola está inserida.

11 junho, 2006 23:40  
Blogger Clave said...

Estou perfeitamente de acordo.
costaria apenas de acrescentar, o seguinte:
A ministra da educação não está a lidar bem com as medidas que está tomar, sendo algumas boas a questão da avaliação dos professores pelos pais, é a mais aberrante que eu jamais ouvi, a Srª não está a par da realidade, não sabe que apenas meia dúzia de pais acompanham os filhos,os educam, de forma a que tenham um comportamento e aproveitamento escolar, só se preocumpam quando os filhos têm um processo disciplinar ou 7 negativas, serão estes pais capazes de avaliarem o trabalho dos profs? claro que não.
avaliem 1º os pais, deam-lhes formação para educarem os filhos, e só depois eles poderão avaliar o trabalho dos profs.

12 junho, 2006 09:09  
Blogger CÁ FICO said...

De todo o modo há professores e professores...
Não me parece que as escolas superiores de educaçãop tenha formado melhores professores nem as aulas da Universidade Aberta melhor nivel de ensino que os demais...Hoje existem muitos professores licenciados, efectivados ou não que estão hierárquicamente abaixo de muitos professore primários que nunca foramà "universidade"m, que se guindaram para o escalão de ensino superior e cujo mérito ùnico é o prodigioso tempo de serviço e uma "meteórica formação em exercicio"...Isto acontece...

E todos dias vemos chegar ao escalão superior ao básico alunos que mal sabem ler , escrever e contar...deficiencias do ensino primário...E de pouco vai adiantar terem aulas deinglês ou música..pois o problema está emos professores primários iniciarem as aulas às nove terminarem às 11 reiniciárem ás duas e acabarem ás três... deveria ser como "no antigamente na vida...inicio ás oito e fim às cinco da tarde com intervalo para almoço, lanche e merenda da tarde...

12 junho, 2006 09:30  
Anonymous Anónimo said...

Na minha opinião, o problema desta "classe", tal como tantas outras, reside no papel dos sindicatos que teoricamente existem para defender os seus interesses, mas que normalmente acabam por defender apenas os interesses dos incompetentes em desfavor de quem precisa, tem vocação e vontade de trabalhar.

Passo a explicar. Ser professor é uma espécie de lotaria, de "fezada" mesmo: ou se tem a sorte de ter uma colocação espectacular no quadro, ou uma coordenação de estágio ou ainda um final de carreira glorioso (três situações de muitas regalias e pouco esforço) ou tem-se a infelicidade de ser um professor em início de carreira e ser praticamente impossível organizar toda uma vida enquanto não se consegue entrar num quadro de zona favorável.

Assim, a primeira medida realmente eficaz para beneficiar os professores está a passar ao lado dos menos atentos. Num ano, o PS reduziu de mais de 1.000 para perto de 450 os sindicalistas que absorvem 8.000.000 € do orçamento de estado, e José Sócrates definiu como objectivo que no próximo ano sejam entre 250 e 300 concluindo assim o processo de "desparasitação".

Assim, sim, acredito que os professores comecem a ver dignificada a sua profissão.

cidadão anónimo

12 junho, 2006 10:07  
Anonymous Anónimo said...

Anonymous, rouxinol, clave, cá fico...

Com tantos comentários anónimos ninguém berra! Porque será? Porque quando são feitos pelos xuxas, o anonimato deixa de ser problema!

Ai ai, que nervosismo miudo vai para os lados da Valadim...

12 junho, 2006 13:35  
Anonymous Carlos Martins said...

Ninguém BERRA porque, provavelmente, não há comportamentos ABERRANTES, não será Anónimo?

12 junho, 2006 15:00  
Anonymous Mongloide said...

Pregunta pretinente:

Quanto ganha o Garcia? Alguém sabe? Ou será tabu?

12 junho, 2006 16:07  
Blogger UNIVERSALEX said...

olh anónimo anónimo special anonimous...só agora vi o teu post...e por um acaso tens cartão do psd? ora mostra lá...

12 junho, 2006 18:33  
Anonymous Machado dá-lhe de Lado said...

Ao menino da Tenente Valadim:

Tenda dar menos tiros nos pés!!!! Então os teus amiguinhos mandam um comunicado para a comunicação social e tu não sabes de nada!??? Estranho, não?

13 junho, 2006 11:43  
Anonymous Anónimo said...

N tenho procuração de ninguém, mas há algo que me perturba ao ler determinados comentários.
Porque é q n falam sobre o parecer do IGAT que recomenda que o Presidente da Cãmara da Póvoa devolva aos cofres da autarquia metado do dinheiro que durante anos recebeu indevidamente??
Tanta preocupação em atacar a oposição e nem se dão ao trabalho de pensar...

14 junho, 2006 01:01  
Blogger topas said...

Um futuro sempre melhor...

http://maistopas.blogspot.com/

14 junho, 2006 01:12  
Anonymous Anónimo said...

Para o anónimo da 01:01

Antes de atirares a primeira pedra, olha-te ao espelho.

Será que a oposição poveira está de consciência tranquila...?

14 junho, 2006 11:13  
Anonymous Menino d' Aldeia said...

Relativamente à questão do IGAT...
Eu acho muito bem que ele tenha de devolver o dinheiro... Se o andou a levar indevidamente?
Assim já dava para pagar os 44 mil contos ao JJ... Aqueles do projecto que ele nunca chegou a fazer... (mas um concurso é um concurso... e moral é só quando nos convém)
Mas agora pergunto...
Será este caso virgem em Portugal? Ou basta ir ali para os lados de Vila do Conde, para as coisas começarem a piorar?

16 junho, 2006 00:08  

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