25 março 2006

GRANDEZA HUMANA

Jim Braddock

Vi, por fim, Cinderella Man, de Ron Howard, com Russel Crowe e Renée Zellweger.

Expressão cinematográfica da biografia de
Jim Braddock, um pugilista retirado que agarra uma segunda oportunidade na luta pelo campeonato de pesos pesados e, através de uma batalha heróica, contra todas as contrariedades, conquista a dignidade da sua família e a simpatia do povo americano.

Baseado numa extraordinária história verídica, uma história de amor, glória e heroísmo. Um filme onde se fala das decisões tomadas por uns, de forma rotineira, mas que alteram completa e definitivamente, a vida de outros. Um filme que revela a frieza do ser humano às vezes representada por pormenores. Mas, um filme onde os pormenores mais importantes que se retêm falam da grandeza humana, dos valores e dos princípios e dizem a possibilidade como conduta de vida, mesmo no âmago da crise e do desespero.

Sempre tive relutância em classificar o boxe como um desporto. Se o desporto pretende uma alma sã num corpo são, o boxe – que significa “bater com os punhos” - mas, sobretudo o ambiente e as motivações que o rodeiam – nomeadamente o das apostas -, contribuem, provavelmente para a degradação humana e não para o seu enriquecimento. Mesmo embora haja quem, sem murros no nariz e nos rins, faça milhões.

Jim Braddock viveu na América da grande depressão, tempo de sofrimento físico e moral para milhões de pessoas. Tempo de exploração desenfreada e de insegurança permanente, de pobreza dorida, distribuída diariamente pela multidão anónima que se levantava cansadamente e substituía o pequeno-almoço, que não tinha, pela tórrida dúvida sobre a possibilidade de ter emprego no momento seguinte. Tempo de desumanidade e de contradição. Tempo de liberalismo cruel. Tempo como outros tempos em que a minoria possidente continuava indiferente, na luxúria…

Num contexto de violência (violência no ringue e violência na vida…) o que vi foi uma intensa e emocionante história de ternura, onde o Altruísmo, expresso no amor à família e aos outros, a Promessa, enquanto compromisso individual e colectivo e a Honestidade, emergem de um chão onde seria mais fácil ceder à deriva.

A fome apertava. O filho roubou um salame no talho… Braddock pegou-lhe na mão, foi com ele devolver o que não lhes pertencia e pedir desculpa. Sublime o respeito pelos princípios e pelos valores, mesmo num estado de grande necessidade. Seria difícil reprovar quem, em legítima defesa e na situação extrema de sobrevivência, não resistira a roubar para saciar a fome…Mas, o exemplo serve para os que roubam sem precisarem, sobretudo para os de colarinho branco e botões de punho dourado…que tantas vezes nos magoam a decência como uma pancada seca num rim.

Depois, a coragem de se humilhar diante dos que se haviam aproveitado do seu trabalho, mantinham o seu status, para pedir uma esmola, o mínimo necessário para cumprir a promessa de manter a família unida…

A seguir, perante a adversidade, sem trabalho, esgotadas todas as tentativas para o conseguir, o sentido de responsabilidade que leva Braddock a recorrer à assistência social. Provisoriamente. Logo que tapa os furos imediatos e recupera o mínimo de auto subsistência, um profundo respeito pelo colectivo leva-o de novo à assistência social. Desta vez para devolver o apoio público de que havia beneficiado: outros precisavam mais do que ele e a sua família. Consciência social e ausência de egoísmo. De facto, na nova circunstância, passado o pior da tempestade, o dinheiro que o ajudou poderia igualmente ajudar quem estivesse em estado de maior necessidade…

Ao mesmo tempo que assistimos ao aproveitamento mesquinho e oportunista dos campeões das reformas antecipadas e das compulsivas com direito a “prémio” ou das acumulações de rendimentos de legitimidade duvidosa, Braddock, tantos anos e tanta distância depois, dá um exemplo de nobreza.

Entre a brutalidade e os sentimentos finos, a vitória dos valores humanistas é possível.

2 Comments:

Blogger UNIVERSALEX said...

Èste é o verdadeiro fascismo que Abril nunca derrubou...è tirste ver os Governos mendigarem uns miseros tostõesd " A QUEM MAIS PRECISA" ..obrigando os país velhotes a colocar os os "ingratos" filhos em Tribunal com acções de alimentos...( POR OUTRAS PALAVRAS: OBRIGAR OS FILHOS A PAGAR O COMPLEMENTO DE REFORMA, que O estado não quer dar) Para encher a "mula" a uns quantos detentores(usurpadores?) de cargos politicos epublicos, que nunca tendo efectuado qualquer desconto que o justificasse ficam com fartas e lautas reformas que obrigam os sucessivos governos a aumentar o inDice contribuitivo, os impostos e onerando ehipotecando a possibilidade de no futuro os actuais contribuintes poderem vir a merecer a honesta e módica reforma aque tem direito...

Acabe-se de vez com esse fascismo...que não me venha dizer quem recebe mais de 1200contos de reforma que é antifascista, pois além de não oser ainda é mas é mentiroso...

25 março, 2006 19:11  
Anonymous Anónimo said...

E que sentido faz um tipo reformar-se, passar a receber pensão do Estado e depois continuar a trabalhar? Não há sistema de segurança social que aguente isto!!!
O Presidente da Câmara da Póvoa e o Vereador da COLT URA já se reformaram... Deviam era por as pantufas e deixar de acumular rendimentos à custa dos trouxas que somos todos nós!!!

PONG

25 março, 2006 19:20  

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