25 fevereiro 2006

O ROSTO DA UTOPIA



José Afonso, numa cidade viva, sem muros nem ameias, com gente igual por dentro e por fora…
20 anos depois da sua morte, o Zeca vive de novo, por estes dias, e sempre!
Quis estar no novo espaço que ele preenche para além da nossa memória e do coração, repetir os passos pelas notas das suas músicas e voltar a sonhar Liberdade, navegando nas palavras das suas canções.
Manuel Freire, Pedro Barroso, João Lóio, “De Outra Margem” (Galiza), “Chamaste-m ’ Ó”, Dino Freitas e Manuel de Oliveira subiram ao palco de um magnífico Auditório para um concerto de homenagem.
Estive lá, estivemos lá… e tivemos a certeza de que o Zeca também lá esteve.

Por causa do Zeca, fui ontem a Guimarães. Regressei momentaneamente aos lugares da minha infância. Revisitei o Palácio Vila Flor , que sempre olhou a cidade com o Castelo ao fundo, a partir da encosta e do sul. Magnífico, o palácio deu o mote a uma nova arquitectura que, com ele, cria uma nova centralidade e também se abre ao vale onde a cidade acontece.
Estimulante, o novíssimo
Centro Cultural de Vila Flor marca um novo e decisivo tempo em Guimarães. A Cultura tem aí a oficina de todas as aventuras, numa dinâmica que, saída há pouco tempo da linha de partida, já percorreu inúmeros e interessantes actos criativos.

Ontem, em Guimarães, na terra onde nasci, pensei na Póvoa, a outra terra que faço minha.
De repente, foi inevitável uma mistura de sentimentos. O lado feliz aconteceu através da Cultura Portuguesa que ali se incendiava nessa noite, através das palavras, dos sons e da Arquitectura. O lado sombrio fez a antítese dispensável, quando ficou claro que os slogans não são suficientes para se ser a cidade da cultura e do lazer!
Naquele magnífico espaço, um aperto na garganta fez-me lembrar o tanto que há a fazer para ser verdade no outro lado da minha terra, a Póvoa.




3 Comments:

Blogger UNIVERSALEX said...

Não há machado que corte a raiz ao pensamento...
E no entanto continuamos prisioneiros dos interesses e gostos soezes urbanisticos de uma classedirigente que nos quer impor avida em caixas de fosforos encasteladas geométricamente ordenadas, com pouca qualidade devida e sombria,endividados até aos ossos para encher o bandulho à empreiteiros,imobiliárias. e entidades bancárias...

Ah! Que saodades da minha Palhota Circular que edifiquei naquela Ilha Linda em que naufraguei, sem necessitar de pedir licença,pagar taxas, eoutros alembamentos... e como era airosa e saudável...

Viva a Liberdade ..viva o Zeca!

26 fevereiro, 2006 12:24  
Blogger CEFAS said...

Em relação ao Zeca Afonso acho que a história ainda não lhe guardou o lugar que merece..estas coisas levam tempo.. muitas vezes 1 vida não chega para se reconhecer a obra de um Homem...

Em relação a Guimarães e à Póvoa, realidades bem diferentes..coisas que a história saberá explicar...mesmo assim acho bem que sonhe com mais cultura para a Póvoa...

Só não gostei desta passagem:"o outro lado da minha terra,a Póvoa."
??!De repente perdi-me na sua geografia...

27 fevereiro, 2006 13:32  
Anonymous Anónimo said...

Foi um bom espectaculo ambos os dias foram porreiros. Uma homenagem que também permitiu aos mais novos conhecer mais um pouco daquilo que José Afonso foi e continua representar.

Ricardo Afonso

28 fevereiro, 2006 10:56  

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