19 fevereiro 2006

FARTAR VILANAGEM




Será que estes magníficos senhores receberam o prémio por contrariar o destino e tudo terem feito para que o resultado não fosse mais negativo e o desvio muito maior, ou porque contribuíram com eficácia para o resultado líquido negativo e para o desvio de 140% do orçamentado?

Enquanto isto acontece, os mesmos magníficos senhores preparam-se para impor aos utentes da Linha da Póvoa tarifários penalizantes: tarifários que ajudam a afundar os parcos orçamentos familiares dos que usarão o Metro que será brevemente inaugurado; tarifários que atrasam a opção pelo transporte público amigo do ambiente e pela mobilidade sustentável!
Fica a perplexidade e a indignação perante os Presidentes das Câmaras da Área Metropolitana do Porto, os senhores dos 60% da empresa, que nem cuidaram de que houvesse uma gestão racional do erário público, nem se preocupam com os únicos destinatários do Metro, os cidadãos!
E fica a tristeza por ver como se esbanjam oportunidades de credibilidade! Como fica o Norte e a Área Metropolitana do Porto depois do desleixo dos que deviam exercer os cargos políticos em nome do interesse público? Que sentimento podemos ter se, por manifesto incompetência e oportunismos vários, um dos maiores projectos nacionais que teve a sua génese no Norte, se perder para a gestão do Poder Central?
Lê-se no Expresso de hoje.


Desastre orçamental leva Governo a ponderar tomar conta da empresa

Gestores do Metro do Porto
recebem €650 mil de prémios

A EMPRESA Metro do Porto S.A. pagou cerca de 650 mil euros de prémios de gestão aos três membros da sua Comissão Executiva (CE) durante o período 2002-2003. O Conselho de Administração, liderado por Valentim Loureiro, premiou o trabalho do presidente Oliveira Marques e dos dois administradores-executivos, quando a empresa de capitais públicos apresentou resultados líquidos negativos (chegando em 2004 a 38 milhões de euros) e o investimento previsto para a primeira fase do metro ligeiro do Grande Porto um desvio de 140%, ou seja, custou mais 1,5 mil milhões de euros do que estava previsto no contrato assinado com o consórcio Normetro em 1998.
Para a Inspecção-Geral de Finanças, os prémios de gestão da CE “não se encontram enquadrados num conjunto de objectivos previamente definidos, excedendo em muito o razoável”, visto que ascendem anualmente a mais de nove salários mensais da CE, quando os restantes gestores públicos nunca ganham prémios que ultrapassemos dois meses de vencimento. Os salários de 140 mil e de 110 mil euros anuais brutos de Oliveira Martins e dos dois vogais do CE, além dos 50 mil euros anuais brutos dos membros do Conselho de Administração(integrados pelos autarcas Valentim Loureiro, Narciso Miranda, Rui Rio, Mário Almeida e pelos três administradores-executivos) da Metro do Porto são também considerados “excessivos”pela IGF. Estes valores foram fixados em 2000 pelo então ministro das Obras Públicas, Jorge Coelho.
As clássicas deficiências de projecto a cargo, por contrato, da Normetro e as alterações de última hora solicitadas pelos municípios do Grande Porto ( como a duplicação de vias, as elevadas obras de requalificação urbana que deveriam ter sido pagas pelas autarquias e a antecipação da linha do Aeroporto e da ligação Campanha-Estádio do Dragão) são as causas apontadas pela IGF para a derrapagem orçamental.
Este desastre financeiro não deverá ficar por aqui, visto que a data de conclusão total do projecto (Março de 2006) não será alcançada, pela simples razão de que a segunda fase ainda não está sequer concluída. O novo custo total do projecto já vai nos 3,5 mil milhões de euros.
Estes factos foram apurados numa auditoria de 2005 da Inspecção-Geral de Finanças à gestão da Metro do Porto no triénio 2000-2003, a que o EXPRESSO teve acesso parcial. A IGF constatou um descontrolo dos custos da obra, a prevalência de ajustes directos em detrimento de concursos públicos e um dado curioso numa empresa totalmente gerida e detida em 60% pelos autarcas da Área Metropolitana do Porto (AMP): “a responsabilidade pelo financiamento do projecto é toda assegurada pelo Estado” .
A IGF descobriu ainda que o novo custo de 2,4 mil milhões de euros da primeira fase não foi autorizado pelo Governo e não está coberto em termos orçamentais, existindo um défice de financiamento de 930 milhões de euros se considerarmos a indemnização por trabalhos a mais devida à Normetro.
Fiscalização Inexistente. Face a este “tsunami” financeiro, os ministros Mário Lino e Fernando Teixeira dos Santos obrigaram em Outubro passado a Comissão Executiva da empresa a entrar em gestão corrente, até ser definida uma alteração estatutária que, como a IGF aconselha, retire o poder aos autarcas da AMP e passe a empresa para as mãos do Governo.
Particularmente criticada pela IGF é a fiscalização da obra adjudicada a um consórcio lideradopela Sonae, que custou perto de 30 milhões de euros. Face a uma derrapagem de 1,4 mil milhões de euros, causada, em grande medida, por atrasos e deficiências da responsabilidade da Normetro, a fiscalização não aconselhou a Metro do Porto “o desencadeamento de mecanismo suspensivo ou sancionatório” da Normetro, critica a IGF.
A construção da Ponte Infante D.Henrique , que permite ao metropolitano ligar o Porto a Vila Nova de Gaia, representa um paradigma do descontrolo financeiro da obra. Estimada em 14 milhões de euros em Agosto de 1997, veio a custar mais de 33 milhões de euros e ficou concluída três anos depois do previsto. O atraso na entrega dos terrenos de ambas as margens (da responsabilidade das autarquias de Gaia e Porto e do Ministério da Defesa) é a principal causa apontada.
Mas, mesmo não tendo conseguido cumprir os 27 meses contratualizados em 1997 como prazo para a conclusão da obra, o consórcio liderado pela Edifer recebeu, segundo a IGF, “prémios pelo cumprimento do novo programa de trabalhos”. Curiosamente a pintura da infra-estrutura (não prevista inicialmente) é o último factor, segundo a IGF, de agravamento de custos.
A IGF criticou ainda duramente os custos superiores a um milhão de euros do período experimental de Novembro de 2002 entre as estações do Viso e do Senhor de Matosinhos. Tal período não foi previsto no contrato original da Normetro.
foto de Fernando Ladeira

8 Comments:

Blogger Pacheco Ferreira said...

É urgente limitar os mandatos desta gente.

Pedem prémios para atingirem os objectivos.

E se falharem?

Nós pagamos os desvios.

Depois são colocados noutra empresa do estado.

19 fevereiro, 2006 21:40  
Blogger ping said...

Incrível... E quem vai pagar isso tudo somos nós!

Ping

19 fevereiro, 2006 22:00  
Blogger CÁ FICO said...

A Povoa e a Vila é que estão a pagar essa factura...

estão a fazer tudo às pressas e sem qualidade...

...É mesmo caso para dizer:
VOLTA "SALAZAR"... estás perdoado...


Vilões é Pouco ... são ,L...ões!

19 fevereiro, 2006 22:04  
Blogger CÁ FICO said...

limitar os mandatos e rotatividade entre representantes partidários e partidos nas autarquias envolvidas

19 fevereiro, 2006 22:05  
Blogger CÁ FICO said...

proponho aqui que seja substituido macedo vieira na empresa do metro por silva garcia o principal lider da oposição e mário almeida por santos cruz...

19 fevereiro, 2006 22:10  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Isto é uma pouca vergonha,inqualificável,e tem que se lhe por cobro!
Houve desvios ou gastos excessivos por má gestão,técnica e/ou administrativa? Alguém fiscalizou em devido tempo? Foram pedidas e prestadas contas? Ainda se está a tempo de se emendar um pouco a mão porque o projecto ainda não acabou.
Acho que os administradores devem ter bons salários,se forem competentes(mas nunca aos autarcas,que só devem ter lá assento pela representação dos seus«feudos»).
Prémios?! Mas, prémios porquê? Por não terem sido capazes de gerir com eficácia os dinheiros públicos?
E lembrar-me eu que a «cobertura» vem(ou veio)de cima!
Como se trata do erário público,os dinheiros são nossos,os contribuintes,que estamos a ser espoliados.
Medidas imediatas que proponho:
- não há prémios para ninguém;
- sejam imputadas responsabilidades a quem cometeu erros de gestão que levaram a este descalabro.

20 fevereiro, 2006 16:16  
Blogger Clave said...

Por um serviço que devia ser de qualidade, e com um custo sustentado, o que acontece é que continuam a haver ladrões a roubar este pa´´is e depois vêm pedir sacrifícios ao povo.
Os pobres ficam cada vez mais pobres e os ladrões cada vez mais ricos.

21 fevereiro, 2006 08:28  
Blogger UNIVERSALEX said...

http://rangerspaintballteam.blog.pt

e
www.argivaiteam.no.sapo.pt

divulguem-nos!

21 fevereiro, 2006 18:37  

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