07 agosto 2010

ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei.

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.


Bertolt Brecht

5 Comments:

Blogger sentidos de coimbra said...

Tens razão. Belíssima escolha esta.
Vivemos (n)um estado de total dormência!

Um beijo amigo,

Cristina Torres

07 agosto, 2010 20:07  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Este hino à cidadania e à intervenção cívica é sempre pertinente. Agora, mais do que nunca, quando os bárbaros estão em plena cidade...

08 agosto, 2010 10:19  
Anonymous Anónimo said...

Bom dia, concordo consigo mas a união faz a força, porque se nao vai o miserável do pobre e de seguida vai o rico porque o pobre precisa de comer. Há gente do grande capital que pensa que são intocáveis mas vamos ver o que se vai passar neste País. A riqueza está muito mal distribuída em Portugal e ainda pensam em alterar a Constituição da Republica, gente sem rumo, porque os nossos antepassados fizeram o seu melhor estes estão a destruir o futuro.

08 agosto, 2010 10:41  
Anonymous Anónimo said...

Gosto muito do Bertold mas prefiro esta do Martin Niemöller:
"Primeiro levaram os comunistas, eu calei-me, porque não era comunista. Quando levaram os sociais-democratas, eu calei-me, porque não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque não era judeu. Quando me levaram, já não havia quem protestasse".

Ou esta, mais romântica, do Maiakoviski:
"Na primeira noite, eles aproximam-se e roubam uma flor do nosso jardim: não dizemos nada. Na segunda, já não se escondem. Pisam as flores, matam o nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada".

Abraço de Miguel Andrade

09 agosto, 2010 12:42  
Blogger CÁ 70 said...

Referi Maiakoviski no meu romnace "NUVEM DE FUMO". Já o leram?
Está na Feira do Livro da Póvoa de Varzim. Aproveitem.

09 agosto, 2010 17:00  

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