12 abril 2011

ATÉ QUE ENFIM, A CLARIVIDÊNCIA

ATÉ QUE ENFIM! A minha gratidão cidadã a José Reis e José Manuel Pureza, da Universidade de Coimbra, e a Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Contra a golpada dos que continuam a vender-nos a mentira da inevitabilidade de nos rendermos ao FMI e aos interesses que representa, estes Economistas entregam queixa na PGR contra agências de rating, pedindo a abertura de um inquérito pelo “crime de manipulação do mercado”. Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s são as agências visadas; dominam mais de 90% do mercado internacional e duas delas – a Moody’s e Standard & Poor’s – têm um “mesmo fundo de investimento como proprietário”. As decisões que tomam influenciam as taxas de juro e têm um impacto significativo no endividamento dos países, “podendo afectar a sua estabilidade” financeira e económica.

Até que enfim! Quatro Economistas com coragem fizeram o que os governos já deviam ter feito e continuam sem fazer, preferindo uma estranha e incompreensível passividade, uma estática postura de cócoras perante os especuladores…que afinal têm rosto, mesmo que seja através do rosto dos seus cúmplices. Esta é uma pedra no charco infecto onde se movimentam os comentadores de serviço (“ecomamistas”, politiquezes e jornaleteiros sem dimensão ética), mercenários assumidos e mercenários por efeito de manada, que contaminam a opinião pública com o pensamento dominante. Esse pensamento que nos impõe pagar tudo o que esses criminosos querem sem reagir, como se fosse uma fatalidade incontornável. Claro que, apesar da acção fundamental dos 4 Economistas com coragem, os outros vão continuar com um ar muito sério, fazendo o marketing dos que enriquecem de forma despudorada e obscena à custa da distruição da qualidade de vida de milhões de pessoas em Portugal e na Europa, papagueando todos o mesmo, numa repetição até à exaustão da mentira que reconstrói a realidade segundo os seus interesses!

Valha-nos Deus!

5 Comments:

Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Gente que não tem muito que fazer a querer dar nas vistas. Inconsequentes. Vivem num mundo de fantasia.

13 abril, 2011 10:11  
Blogger CÁ 70 said...

Caro Peliteiro, você acha honestamente que quem exige decência a este bando de ladrões está mesmo a viver num mundo de fantasia ou a fantasia passa antes pela crença da fatalidade desta economia de casino que está a minar as sociedades?

13 abril, 2011 23:46  
Blogger CÁ 70 said...

Onde fica a dimensão humana? Quando é que se coloca a Economia ao serviço das pessoas e não as pessoas ao serviço da Economia?

13 abril, 2011 23:48  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Curvo-me perante a atitude frontal, corajosa e clarividente destes quatro portugueses, que não se acobertam nos meandros dos principais decisores políticos que nos enxameiam e tolhem o discernimento.
A PGR vai analisar a queixa que estes cidadãos lhe apresentou. Espero que se mexa bem e depressa!
Espanta-me como é que, neste quadro diabólico dos negócios financeiros e perigoso para a democracia e independência do país, não tenha havido um político português (os banqueiros jogam noutro campo e a outras horas...) capaz de fazer um alerta daquele tipo!
O exemplo daqueles quatro compatriotas pode resultar num movimento generalizado a nível europeu, que poderá muito bem obrigar a UE a reexaminar as suas regras de actuação, agora no campo financeiro, mas também noutras áreas de uma fragilidade confrangedora, que minam os princípios que a deviam nortear. Podem inclusivamente levar a UE a tornar-se verdadeiramente solidária!
Conhecem-se os mecanismos de funcionamento das tais agências de rating, que influenciam os "mercados financeiros", os quais debilitam as economias dos países mais pequenos e subjugam as orientações políticas de países democráticos.
É nesta ordem de ideias que a UE tem que assumir com honestidade o papel para que foi criada. Sem ambiguidades.
E é dentro da própria UE que uma verdadeira revolução - renovação drástica de comportamentos e de ideias - tem que acontecer, para evitar o fim, que alguns desejam.
Oxalá esta louvável iniciativa seja o primeiro passo para se vencer essa batalha!

14 abril, 2011 23:03  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Caro Silva Garcia:
Eu honestamente acho que «quem exige decência a este bando de ladrões está mesmo a viver num mundo de fantasia». Para mim, trata-se de um acto falhado, de gente a querer dar nas vistas - eles, precisamente por serem economistas, sabem-no bem.
Sejamos práticos, as agências de notação financeira e o sistema financeiro mundial sabem lá bem quem é o Dr. Pureza e querem lá saber da PGR e de um país pobre, pequeno e periférico como Portugal.

Eu sou um incréu, mas aprecio pessoas de boa-vontade como o Arq.º Silva Gracia e o Cmdte. Figueiredo a quem muito respeito.

Abraço

18 abril, 2011 01:24  

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