14 dezembro 2005

PERGUNTAS AO VENTO QUE PASSA

Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?”
Bertolt Brecht

1. Como muitos Poveiros, sou favorável à requalificação da Avenida Mouzinho de Albuquerque, tal como de tantas outras zonas da cidade e do concelho, independentemente das soluções estéticas e funcionais a adoptar.
Quanto ao Parque Subterrâneo, tenho dúvidas fundadas e, expressá-las, não pode ser um delito de opinião, mas um direito cívico e, em certa medida, um dever de cidadania.
Uma coisa é certa, a prioridade deve ser dada aos direitos de ACESSIBILIDADE e de MOBILIDADE. A acção política deve orientar o trabalho técnico e o investimento público para assegurar estes direitos, antes de mais.
O número de automóveis a circular no Centro da Cidade aumentou assustadoramente! A carência de aparcamento é proporcional! A Póvoa tem um problema de saúde: tem muita gordura no sangue, o que é uma maneira de dizer que está invadida por carros a mais para a capacidade da sua estrutura viária! Começa a ficar insuportável…

2. Uma regra básica do Desenvolvimento Sustentável é Pensar antes de fazer e pensar globalmente para actuar localmente.

Será que a Câmara da Póvoa tem consciência de que o exagerado número de carros no Centro da Cidade é responsável pela poluição do ar, pelo stress e pela insegurança, dificulta a mobilidade e aumenta as perdas de tempo na circulação?
Será que a única maneira de se aceder ao Centro deve continuar a ser de automóvel?
Para se ter melhor mobilidade deve-se ou não reduzir o número de veículos particulares no Centro da Cidade?
Como se faz isso? Não será criando um sistema intermodal de transportes públicos e parques periféricos gratuitos e atractivos?
Quais são os grandes eixos da política de transportes da Câmara Municipal? Limitar o acesso dos carros particulares ao Centro, tornar mais atractivos os transportes públicos?
Que medidas tomou a Câmara para reduzir o trânsito automóvel no Centro da Cidade?
Em vez de construir mais parques periféricos não é verdade que, recentemente, acabou com um para instalar um posto de abastecimento de combustíveis?
E quais são os principais objectivos da política de estacionamento da Câmara?
Será que é construindo cada vez mais parques no centro que se resolve o problema do aparcamento?
Mais e mais parques no Centro resolvem os engarrafamentos, a lentidão da circulação, a poluição do ar, a segurança dos peões, o stress dos condutores?
O Projecto Europeu SMILESustainable Mobility Initiatives For Local Environment - propõe a redução dos parques no centro das cidades e a promoção de parques periféricos gratuitos! Porque não seguir este conselho?
Deve construir-se o parque subterrâneo da Avenida para responder à falta de estacionamento, ou deve-se reduzir as necessidades de estacionamento reduzindo o número de veículos a circular no Centro da Cidade?
Onde estão os estudos que demonstram a necessidade, a inevitabilidade e a urgência de construir mais um parque central e, concretamente, na Avenida Mouzinho de Albuquerque?
Se este parque é um equipamento indispensável, porque não faz parte das Intervenções Estratégicas e Prioritárias do Plano de Urbanização?
Onde está o Plano de Mobilidade e Plano Estratégico de Transportes para a cidade e para os subúrbios?
Qual a relação desses planos com os parques centrais e os parques periféricos?
Para quando um sistema de transportes públicos que seja confortável, regular, frequente, rápido, não poluente e económico?
Para quando a construção de novos parques periféricos?
Para quando a construção do Centro Intermodal em Barreiros e o prolongamento do Metro até esse equipamento estratégico?
Quanto aos residentes, qual é a dimensão da sua carência de aparcamento e que soluções para resolver o seu problema?
Quantos residentes estão disponíveis a adquirir ou a alugar aparcamentos em soluções realizadas em colaboração com o Município ou com Investidores Privados?
Por que não fazer parcerias com os residentes interessados e construir parques em vazios urbanos, como o do antigo Quartel na zona da Matriz ou o do miolo do quarteirão definido pelas ruas António Graça/Serpa Pinto/Elias Garcia/Patrão Sérgio?
Quanto aos que se deslocam diariamente para a Póvoa, quem são as pessoas e quantas são?
Quais são as razões que as trazem ao Centro da Cidade? Quantas vêm em movimentos pendulares casa-trabalho e trabalho-casa e como se deslocam? Têm alternativa?
Se vêm de carro, quantas estão dispostos a pagar diariamente cerca de 8 euros pelo estacionamento num parque central?
Estariam disponíveis a vir, antes, de transporte público, se existisse, se tivesse qualidade e fosse de baixo preço?
A Câmara da Póvoa leva em atenção as necessidades de alguns públicos alvo, como é o caso de trabalhadores, crianças, estudantes, reformados e pessoas com deficiência?
Qual é, de facto, a dimensão da carência de aparcamento dos visitantes?
Por outro lado, além do aparcamento ao longo das ruas, qual a capacidade actual dos parques que existem no Centro da Cidade? Qual é o seu índice de utilização? Quais são as suas horas de maior carga? Quais foram os custos de investimento? Quais são os custos de manutenção? Quanto custa ao utente a sua utilização?
Onde está o estudo de viabilidade económica, no plano da execução e manutenção do equipamento e das áreas conexas, correspondente financiamento de imediato e a prazo? Afinal, a obra é paga completamente pelo investidor privado, como se fez crer, ou a Câmara pagará parte dela? Que parte? Com que dinheiro?
Onde está o estudo de impacto ambiental da obra? Que sentido faz deixar a sua elaboração para os concorrentes privados que, dificilmente, serão independentes e isentos?
Onde está a avaliação do impacto da materialização da obra no terreno, quanto às suas implicações no normal funcionamento da cidade e, em concreto, na zona onde se insere?
Os Poveiros, nomeadamente os comerciantes, lembram-se do que foi a Obra da Junqueira? Já imaginaram uma situação várias vezes pior, durante pelo menos dois anos, numa via estruturante que atravessa toda a cidade e é indispensável ao trânsito automóvel?
Será que se deve impor sacrifícios às pessoas sem se ter a certeza de que esta é a solução indispensável e única? E será que se justifica tal sacrifício num momento de grande crise no Comércio local, provavelmente agravada em breve com a abertura próxima do Nassica?
Mas, se feitos estudos sérios e isentos, for mesmo preciso mais um parque no Centro da Cidade, porquê na Avenida? Por que não na Antiga Cadeia, onde é possível uma grande capacidade de aparcamento em diversos níveis e onde a sua construção não causaria qualquer perturbação à quotidiano da cidade?
E, finalmente, já repararam que o centro da Póvoa é muito pequeno, que a esmagadora maioria dos serviços, dos equipamentos e das lojas comerciais se concentra num círculo com um quilómetro de diâmetro? E que o percurso mais longo se faz a pé, em pouco mais de dez minutos?

Tantas perguntas. Outras tantas respostas por dar!

3. “Daqui resulta que as intervenções na circulação devem ser enquadradas pelos seguintes objectivos: aposta em medidas de gestão de tráfego no centro urbano; construção de alternativas de circulação e de estacionamento na periferia imediata, por forma a evitar o excesso de concentração automóvel no centro urbano; reforço da rede de transportes colectivos, articulada com os locais de oferta de estacionamento e com as estações do futuro metro, garantindo uma oferta diversificada na circulação urbana.”

Faço uma proposta ao Senhor Presidente da Câmara, Dr. Macedo Vieira. Será capaz de identificar a origem e o autor desta afirmação?
J.J.Silva Garcia

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